'Tem ódio mortal de mim', disse advogada a amiga sobre marido

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A defesa da advogada Tatiane Spitzner, que morreu ao cair do quarto andar do prédio em que morava em Guarapuava (PR), anexou conversas por Whatsapp dela com uma amiga falando sobre a relação com o marido, Luis Felipe Manvalier. Nas mensagens, trocadas entre março e junho deste ano, ela relatava sentir “medo” e dizia que o marido sentia “ódio mortal” por ela.

Manvalier foi indiciado por feminicídioO inquérito da Polícia Civil foi encerrado nesta terça-feira (31). Ele nega ter jogado Tatiane da sacada. Veja a seguir a troca de conversas, publicada pelo G1.

Tatiane: Nem conversamos estamos

Tatiane: Sim

Tatiane: Que situação

Tatiane: E hj estou aberta

Tatiane: Só tomando pancada

Amiga: Manda esse cara ir embora amiga

Tatiane: N consigo bloquear

Tatiane: Estou com medo amiga

Tatiane: Estou acabada, amiga, tive uma conversa feia com o Luis Felipe ontem, só me falta coragem pra encarar um divórcio

Tatiane: Grosseiro, estúpido, falou que tem ódio mortal de mim, que não sabe quando vai passar essa raiva, q não quer nem falar comigo

Tatiane: Só me critica, qualquer coisa que eu abra a boca ele é contra

Tatiane: Me corta

Tatiane: Tá péssimo

Tatiane: Sabe quando vc vê que a pessoa te odeia

A defesa de Luís Felipe afirmou que as conversas estão “fora de contexto” e que já impugnou os materiais via petição “por entender que essas não têm valor legal”.

INDICIAMENTO

A jornalistas, o delegado Bruno Miranda Maciozek, responsável pelo caso, afirmou que imagens do circuito interno de câmeras do prédio mostram “agressões brutais” contra a vítima. Após a queda de Tatiane, ele recolheu o corpo e levou de volta ao apartamento.

Segundo a autoridade policial, há ainda indicativos de que Tatiane foi esganada pelo marido. “O laudo apontou evidências claras da ocorrência desses crimes, entre elas marcas evidentes no pescoço da vítima”, disse.

Luís Felipe está preso desde o dia 22 de julho, quando foi detido após se envolver em um acidente numa estrada nas proximidades de São Miguel do Iguaçu, a cerca de 320 km de Guarapuava.

Ele dirigia o carro da advogada e seguia em direção a Foz do Iguaçu, na fronteira com Paraguai e Argentina.

Em depoimento à polícia, o suspeito negou que tenha empurrado a mulher da sacada do apartamento – disse, apenas, que ela se jogou da janela durante uma discussão entre o casal. A defesa diz que o casal era “feliz”.

Sobre o indiciamento, a defesa se reservou ao direito de não comentar “as declarações dadas pela autoridade policial de Guarapuava, uma vez que não teve acesso nem às declarações na íntegra tampouco ao relatório do Inquérito Policial”.