“Tem que ser demitido já”, diz Eduardo Jorge sobre Salles

Eduardo Jorge critica ministro Ricardo Salles. Foto: Reprodução/Facebook

Na última sexta-feira (23), a avenida Paulista, em São Paulo, foi tomada por milhares de pessoas que faziam um protesto em prol da Amazônia após as queimadas que começaram na última semana e ainda preocupam todo o mundo.

Um dos presentes no ato era o médico sanitarista Eduardo Jorge, que já foi deputado federal e secretário de Saúde e Meio Ambiente na cidade de São Paulo. Em entrevista ao blog, ele afirmou que a manifestação era importante para que o governo tomasse alguma atitude em relação ao desastre ambiental que está acontecendo no Brasil.

Para ele, é importante que o governo mobilize todas as forças para combater os incêndios na região. Mas ele também disse que é preciso que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, seja demitido. Segundo Eduardo Jorge, Salles é “incompetente, raivoso, radical e violento”.

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“Esse sujeito tem que ser demitido já. É o mínimo sinal que o Brasil tem que dar para os brasileiros e para o mundo: que um pouco de racionalidade, que um pouco de ouvir a ciência está voltando à esplanada dos ministérios”, afirmou em entrevista exclusiva.

Leia a entrevista completa:

Por qual motivo o senhor acha importante que as pessoas se manifestem em prol da Amazônia?

Eduardo Jorge: Essa é a pauta do século XXI, da humanidade, do planeta Terra. Talvez, esse seja o desafio mais difícil que a nossa espécie tem desde que está aqui neste planetinha azul. [A missão] é combater as mudanças climáticas. Aliás, nós já passamos do simples combate às mudanças climáticas e entramos em uma fase de crise climática e logo, se continuar como está, vamos entrar em uma emergência climática. É uma linguagem médica, mas que dá para entender o que está acontecendo.

Por qual motivo o Brasil é importante para isso?

Eduardo Jorge: O Brasil é um país importantíssimo no mundo. É um elemento essencial nessa política que a ONU (Organização das Nações Unidas) coordena. [Também é importante] para ter planeta para nossos netos, bisnetos, para as espécies de animais que convivem conosco no planeta… infelizmente, o que tá acontecendo é que nosso governo atual não tem a menor sensibilidade, até por problema de ignorância, em relação ao tamanho desse desafio e o papel que o Brasil tem nisso. Não é uma questão só local. É global, mas o governo não tem a menor sensibilidade para esse desafio.

Esse desmatamento vem acontecendo em todo o Brasil?

Eduardo Jorge: Você vai ver que [o desmatamento] não é só no bioma Amazônia. Ele acontece na Mata Atlântica, acontece aqui em Parelheiros, por exemplo. Eles estão queimando, invadindo, ocupando áreas perto da represa. [Isso acontece] aqui, nas barbas do governo municipal e estadual do governo de São Paulo. [O desmatamento] acontece na Caatinga, em todo o Nordeste. Acontece no Cerrado também. Portanto, é um problema sistêmico.

Isso não é de hoje, não é mesmo?

Eduardo Jorge: Isso não é de hoje, com certeza. Não vamos dizer que é problema desse governo. É problema do governo passado, do outro e do outro. Alguns fizeram mais, outros fizeram menos, mas nós estamos, novamente, com uma crise muito grave na Amazônia. É claro que, diante de um quadro como esse, o que a gente tem que reivindicar? Que o governo mobilize todos os esforços, que chame o exército, a polícia, os bombeiros, a mobilização de entidades e de pessoas para combater a emergência.

Como resolver a emergência?

Eduardo Jorge: Isso aí não vai resolver se ele não extinguir o principal foco incendiário que está na própria esplanada dos ministérios. Ele tem um ministro que, além de incompetente, raivoso, radical e violento, é um incendiário. Então, nós temos que combater hoje as queimadas, os desmatamentos ilegais, mas é preciso apagar esse foco de incêndio na esplanada. Esse sujeito tem que ser demitido já. É o mínimo sinal que o Brasil tem que dar para os brasileiros e para o mundo: que um pouco de racionalidade, que um pouco de ouvir a ciência está voltando à esplanada dos ministérios.