Temer diz que Brasil tem tendência ao "autoritarismo" e ressalta colaboração com Congresso

Temer durante cerimônia no Palácio do Planalto 28/9/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

(Reuters) - O presidente Michel Temer disse nesta quarta-feira que o Brasil tem tendência ao "autoritarismo" e a uma "certa centralização", e procurou destacar a colaboração do governo com o Congresso.

Temer afirmou ainda, no feriado da Proclamação da República, que sempre foi ideal da nossa República a independência e a harmonia entre os poderes, e que "umas das palavras chaves do nosso governo, é o diálogo, diálogo e respeito, com o Legislativo e o Judiciário".

"E nós temos, portanto, uma colaboração extraordinária com o Congresso Nacional, e que nós temos levado adiante, num esforço coletivo para recuperação do Brasil", disse o presidente em Itu (SP), durante cerimônia de outorga de título de cidadania ituana ao senhor José Eduardo Bandeira de Mello.

"Se nós não prestigiarmos certos princípios constitucionais, a nossa tendência é sempre caminhar para os autoritarismos, para uma certa centralização. Nós temos uma certa, digamos, uma certa tendência para centralização."

Ao ressaltar essa tendência, o presidente disse que percebe as pessoas preocupadas com o que está acontecendo no Brasil, mas garantiu que "hoje as instituições funcionam tranquilamente".

Temer citou momentos históricos do país para exemplificar a tendência à centralização, incluindo os anos de 1930 a 1945, quando, segundo ele, tivemos um "sistema centralizador", e em 1964, em que "vários movimentos que pleiteavam uma concentração de poderes, e com isso destruiu-se um dos princípios republicanos que era a harmonia e independência dos poderes".

O presidente defendeu ainda a autonomia de Estados e municípios, em seu discurso ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy.

"Vamos enfatizar também uma reforma federativa. Não apenas a reforma social, não apenas a responsabilidade fiscal, mas também uma reformulação federativa, de maneira em que estados e municípios tenham cada vez mais autonomia, não apenas competências, mas recursos próprios para gerir essas competências", disse.

(Por Tatiana Ramil, em São Paulo)