Temer diz que fechamento de fronteira com Venezuela seria medida inapropriada

Presidente Michel Temer após declaração à imprensa no Palácio do Planalto 01/06/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino

(Reuters) - O presidente Michel Temer disse nesta quinta-feira que o fechamento da fronteira com a Venezuela devido ao grande fluxo de migrantes daquele país para Roraima seria uma medida inapropriada, mas ressaltou que o governo federal não deixará de lado as necessidades do Estado.

“Nós estamos todos de acordo que não há como fechar fronteira, mas também não há como abandonar as necessidades de Boa Vista, de Roraima e de todo o Estado”, disse o presidente a jornalistas.

Temer foi a Roraima para acompanhar as condições em que se encontram os venezuelanos que têm chegado ao Estado.

A Venezuela vive grave crise político-econômica e milhares de venezuelanos têm deixado o país em direção a nações vizinhas, incluindo o Brasil.

Em abril, Roraima entrou com um pedido de fechamento de fronteira temporário no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que a União não estava cumprindo com suas obrigações em relação ao controle da fronteira com o país vizinho, mas a Advocacia-Geral da União (AGU) argumentou que o pedido era "inegociável".

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), que tem trabalhado com as autoridades brasileiras, mais de 52 mil venezuelanos haviam entrado no Brasil até abril desde o início de 2017, incluindo os cerca de 40 mil que estavam vivendo em Boa Vista, capital de Roraima.

Sobre a transferência de parte desses migrantes para outras regiões do Brasil, Temer disse que é um processo que leva tempo para ser bem feito.

"O problema da interiorização é que a imagem que as pessoas têm da interiorização é a seguinte: ‘você pega os venezuelanos, bota em um avião ou bota em um ônibus e despeja em outro Estado’. Não é isso, nem assim que se faz", disse.

"O que está sendo feito, com muito critério, é quando interioriza aqueles que aqui estão, os venezuelanos, eles já vão com todas as condições de habitabilidade no novo Estado”, acrescentou. “É um trabalho mais demorado, mais longo, mas que está sendo levado adiante com muito empenho.”

(Por Alexandre Caverni, em São Paulo)