Temer elogia gestor pacificador de Bolsonaro, mas diz não garantir o que acontecerá “lá na frente”

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SAO PAULO, BRAZIL - AUGUST 12: President of Brazil Jair Bolsonaro and Brazil's former President Michel Temer look on during a visit to BASP (Sao Paulo Air Base) to accompany the Brazilian delegation's departure to Lebanon on August 12, 2020 in Sao Paulo, Brazil. Last week, an explosion in the port area of Beirut, the capital of Lebanon, left at least 160 dead and thousands injured. The delegation's mission is to deliver food, medicine and hospital supplies, including 100,000 surgical masks and mechanical respirators. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
Michel Temer e Jair Bolsonaro se reuniram durante mais de quatro horas na última quinta-feira (9) (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)
  • Michel Temer se mostrou animado com a postura de Bolsonaro, mas não garanta que presidente manterá posição "lá pra frente"

  • Ex-presidente assumiu que chegou no almoço com Bolsonaro com a nota praticamente pronta

  • Bolsonaro teria alterado somente dois pontos do documento

Responsável pela redação da nota oficial divulgada por Jair Bolsonaro (sem partido), Michel Temer (MDB) elogiou o entusiasmo do presidente da República no recuo para diminuir a tensão entre os poderes.

Ao mesmo tempo, Temer alegou que não pode garantir como serão as atitudes de Bolsonaro “lá na frente”.

“Vi tanto entusiasmo nele (Bolsonaro), nas pessoas que se manifestaram e nas pessoas do governo, que eu não vejo risco (de nova tensão), mas evidentemente não posso garantir o que vai acontecer lá na frente. Mas não creio (em recuo), é um documento escrito, não é uma fala verbal”, declarou o ex-presidente em entrevista ao jornal O Globo.

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Segundo Temer, as conversas com Bolsonaro foram no sentido de mostrar a importância da pacificação entre os poderem e como isso ajudaria o governo e também o Brasil. “E ele logo se convenceu, não teve dúvida em relação a isso”, disse.

Já ciente da possibilidade de acirramento entre os poderes nos atos de 7 de setembro, quando Bolsonaro fez do STF e de Alexandre de Moraes os alvos principais, Temer revelou que foi procurado para ajudar a apaziguar a situação.

Temer, então, decidiu entrar em contato com Moraes – mesmo antes da falar com o presidente Jair Bolsonaro. “Troquei ideias com ele, que me disse que decide juridicamente, que não tem nada pessoal contra ninguém. E está corretíssimo”, revelou. Na quinta-feira (9), Bolsonaro e Temer almoçaram juntos e ficaram reunidos durante 4 horas. No encontro, o ex-presidente intermediou uma conversa entre Bolsonaro e Moraes pelo telefone.

Sobre a nota, o ex-presidente admitiu que levou um documento praticamente pronto. “Ele fez duas observações e disse que estava de acordo”, contou ao jornal O Globo.

STF continua desconfiado

Os ministros do Supremo Tribunal Federal não mostraram empolgação com a nota oficial divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na última quinta-feira (9). Segundo informações da Folha de S. Paulo, os magistrados estão céticos e garantem: a posição do presidente não vai mudar as investigações conduzidas pela Corte e pela Justiça Eleitoral.

Integrantes do STF acreditam que a nota divulgada por Bolsonaro foi motivada não por uma mudança sincera, mas pelo sentimento de isolamento político. Nos últimos dias, houve uma maior movimentação por parte de partidos de centro e de direita pelo impeachment de Bolsonaro.

Segundo a Folha, a avaliação de ministros do Supremo é que a ação de Jair Bolsonaro sirva para amenizar os efeitos negativos da radicalização no mercado financeiro e barrar a alta do dólar. Isso, não entanto, não mudará a postura de Moraes – ele é o relator do inquérito que investiga as fake news e a organização de protestos antidemocráticos.

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