Temer fica em silêncio em depoimento e terá pedido de soltura analisado só na quarta

Ex-presidente Michel Temer preferiu permanecer em silêncio durante depoimento na sede da PF. (Foto: Fátima Meira/Futura Press)

O ex-presidente Michel Temer (MDB) optou por permanecer em silêncio durante seu depoimento, na tarde desta sexta-feira (22), na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro, após ser preso preventivamente nesta quinta-feira (21) pela força-tarefa da operação Lava Jato.

O pedido de habeas corpus, protocolado pela defesa do ex-presidente no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) nesta sexta, só deverá ser analisado na próxima quarta-feira (27).

A princípio, o pedido de liberdade de Temer havia sido distribuído ao desembargador federal Ivan Athié. Entretanto, a requisição de soltura do emedebista deverá ser analisada pela 1ª Turma Especializada do TRF-2, composta por três desembargadores.

O pedido da defesa de Temer precisa de maioria mínima – no caso, o voto de dois desembargadores – para ser aceito ou rejeitado.

Além de Temer, o ex-ministro Wellington Moreira Franco e o coronel aposentado da PM (Polícia Militar) de São Paulo João Baptista Lima Filho, o coronel Lima – amigo, braço-direito e apontado como operador de Temer -, também foram presos na quinta.

Os três são acusados de envolvimento em um esquema que praticava desvios e acordava recebimento de propina de empresas em troca de contratos na usina de Angra 3, feitos com a estatal Eletronuclear.

DEPOIMENTOS

Moreira Franco e coronel Lima chegaram à sede da superintendência da PF no Rio por volta das 9h desta sexta. Os dois estão presos no BEP (Batalhão Especial Prisional), unidade gerida pela PM do Rio em Niterói, na região metropolitana da capital, e se deslocaram à unidade para depor, ao contrário de Temer, que está preso em uma sala no próprio prédio da superintendência da PF.

O ex-presidente nem chegou a ficar diante dos procuradores já que sua defesa se manifestou dizendo que o emedebista ficaria em silêncio. Coronel Lima também preferiu não se pronunciar.

O único a prestar depoimento foi o ex-ministro. Segundo o jornal O Globo, Moreira Franco afirmou que ouviu de Temer que Coronel Lima era pessoa que ficava à frente da empresa Argeplan. Embora não tivesse expertise e nem pessoal, a empresa foi uma das contratadas para a obra de Angra 3. Ele negou que tenha pedido, recebido ou pago qualquer propina.