'Temos preocupação com os 800 mil que não tomaram a terceira dose', diz membro do comitê científico sobre desfiles na Sapucaí

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RIO - Uma reunião do Comitê Científico de Enfrentamento à Covid-19, que assessora a prefeitura na pandemia, agendada para a manhã da próxima quarta-feira, definirá se os desfiles das escolas de samba na Sapucaí serão mantidos, conforme informou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Segundo o ex-Ministro da Saúde José Gomes Temporão, pesquisador da Fiocruz e membro do comitê, serão levadas em conta variáveis como expansão no número de casos e ocupação de leitos dos hospitais:

- Avaliaremos ainda a taxa de reprodução e a velocidade com que os vírus estão se espalhando, tanto da Influenza quanto da variante Ômicron da covid-19. Temos preocupação com os 800 mil moradores do Rio que ainda não tomaram a terceira dose da vacina. Estamos levantando dados e gráficos para tomar uma decisão baseada nestas evidências - afirma Temporão.

A reunião fará uma reavaliação da decisão tomada em 22 de dezembro, quando o comitê liberou a realização do carnaval no Rio. O ex-Ministro da Saúde acrescenta que, na ocasião, serão discutidos também a situação epidemiológica, a vacinação no carnaval, a vacinação de crianças e o retorno às aulas presenciais, que, na maioria das escolas, está previsto para o início de janeiro:

- (O retorno às aulas presenciais) está na mesma situação (dos desfiles da Sapucaí). Vamos discutir na quarta-feira.

Em reunião realizada no início da tarde desta sexta-feira, parte dos integrantes da comunidade científica do Grupo Técnico de Assessoramento a eventos de Saúde Pública (conhecido como comitê científico) do estado avaliou que devido à explosão de casos da variante Ômicron da Covid-19 não há condições de liberar eventos abertos ou fechados que gerem aglomerações, que sejam difíceis de controlar. Baseado nos números atuais, essa lista incluiria hoje os desfiles na Marquês de Sapucaí, os eventos do carnaval de rua bem como shows.

O comitê tem caráter apenas consultivo, ou seja, as autoridades podem seguir ou não suas orientações. O governo ainda não bateu martelo sobre proibição da festa. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), caso haja divergência, vale a medida mais restritiva.

Em nota divulgada à noite, o governo do estado reforçou que carnaval no Sambódromo está mantido e a tendência é de suspensão do de rua. Nesta semana o prefeito Eduardo Paes anunciou a suspensão da folia de rua, mas confirmou a manutenção dos desfiles na Sapucaí.

"A tendência é que o carnaval de rua seja suspenso, já que, neste caso, não há como fazer um controle sanitário, com adoção de protocolos sejam de testagem ou exigência de esquema vacinal completo. Não é possível decidir sobre um evento que irá acontecer daqui a dois meses à luz do cenário epidemiológico momentâneo. Novas reuniões deverão acontecer para embasar a decisão da SES." diz a nota do estado.

Logo após a avaliação do comitê, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, disse que ainda era cedo para decidir sobre os desfiles no Sambódroromo por depender da evolução da doença. Mas destacou que a situação era diferente em relação ao carnaval de rua. Mais cedo em suas redes sociais, o governador Cláudio Castro contou que ele mesmo sugeriu ao comitê a suspensão desses eventos. Várias cidades do estado já anunciaram que os blocos não irão para a rua, entre os quais: Rio de Janeiro, Niterói, Maricá, São Gonçalo, Duque de Caxias e Campos.

Chieppe disse que em uma reunião na semana que vem, que já estava marcada, transmitirá ''a recomendação'' do governador para os secretários de saúde dos 92 municípios.

Também nesta sexta-feira, a presidente da Riotur, Daniela Maia, recomendou o cancelamento ou a transferência dos eventos e ensaios das escolas de samba para locais com o controle de acesso, respeitando as medidas sanitárias vigentes. Segundo o ofício, encaminhado à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), nesta sexta-feira, a orientação às agremiações é para que evitem ensaios em locais públicos e que sejam feitos em locais fechados, onde será possível exigir na entrada o certificado de vacinação.

O ofício encaminhado à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) diz que a decisão tem "em vista a ampliação das medidas de proteção à vida, relativas ao combate à Covid-19".

A Mocidade Independente de Padre Miguel cancelou o ensaio de rua que aconteceria neste domigo. A Vila Isabel e a Beija-Flor já tinham decidido que não realizariam os ensaios de rua, segundo a coluna de Ancelmo Gois. Já a Portela lidera o grupo a favor da manutenção dos ensaios.

A São Clemente, que prestará homenagem ao humorista Paulo Gustavo, que morreu de Covid-19 em maio do ano passado, também suspendeu os ensaios.

O cenário epidemiológico na capital, além das obras na Marquês de Sapucaí, que ainda não foram finalizadas, levaram ao adiamento dos ensaios técnicos das agremiações que estavam previstos para acontecer a partir da segunda quinzena deste mês.

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