'Tempestade do século' deixa devastação 'absoluta' em Porto Rico

Por Héctor RETAMAL, con Leila MACOR en Miami
(20 set) Estacionamento inundado após a passagem do furacão por San Juan, Porto Rico

O furacão Maria deixou em Porto Rico uma "devastação absoluta", onde matou um homem e interrompeu 100% do serviço elétrico ao atravessar o país nesta quarta-feira, com ventos máximos de 240 km/h, após arrasar as Ilhas Virgens e as Antilhas, onde deixou ao menos nove mortos.

Um homem morreu em Bayamón, no nordeste da ilha, quando o tapume que havia colocado na janela se desprendeu e o atingiu na cabeça, informou à AFP Yennifer Álvarez, porta-voz do governo.

Diferentes fontes dão conta de uma situação catastrófica em Porto Rico. As imagens nas redes sociais mostram ruas inundadas, algumas delas com automóveis flutuando à deriva, e os residentes que ligavam para uma rádio local descreviam desastres em todas as partes da ilha.

Maria entrou, na manhã de segunda-feira, ao sul de Porto Rico como um furacão de categoria 4 e ventos de 250 Km/hora. No início da tarde emergiu pela costa, rebaixado à categoria 3 (185 Km/hora), segundo os boletins do Centro Nacional de Furacões, com sede em Miami.

O governador desse território americano, Ricardo Rosselló, alertou os cidadãos que "o perigo continua. Há aviso de inundações para Porto Rico inteiro. Permaneçam em lugares seguros", tuitou.

As comunicações estavam difíceis na ilha, que ficou 100% sem energia elétrica, um serviço que já tinha demonstrado fragilidades com a passagem do furacão Irma, há duas semanas.

Quando Maria chegou, cerca de 50.000 moradores ainda estavam sem eletricidade e cerca de 200 pessoas continuavam vivendo em abrigos pelo embate de Irma.

Mas esta vez a varredura foi completa: "A ilha está sem energia e com poucas comunicações", disse à AFP Ricardo Castrodad, porta-voz do setor de San Juan da Guarda Costeira americana.

"Assim que a tempestade passar e as condições do tempo forem seguras, o pessoal da Guarda Costeira sairá para fazer as avaliações", disse o oficial.

No centro de San Juan, Imy Rigau se protegia em um corredor de seu apartamento, inundado com 30 cm de água de chuva, porque o furacão levantou o teto da sua vizinha de cima.

"A água desceu pela escada como se fosse uma cascata, e toda essa água entrou na minha casa", contou, chorando, Rigau, administradora de 53 anos. "Estamos presos no corredor".

- Devastação absoluta -

O governador Rosselló também anunciou que pediu ao presidente americano, Donald Trump, que declare Porto Rico zona de desastre.

Segundo o serviço federal de emergências Fema, a declaração de emergência põe um limite de cinco milhões de dólares para a ajuda federal, enquanto a declaração de desastre carece de limite.

De acordo com a prefeita de San Juan, Carmen Yulín Cruz, a devastação na ilha de 3,5 milhões de habitantes é "praticamente absoluta".

"Muitas partes de San Juan estão completamente inundadas. (...) A devastação está tocando os quatro pontos cardeais", detalhou.

"Nossa vida como a conhecíamos mudou", disse entre lágrimas a um grupo de jornalistas no abrigo em San Juan onde se protegiam.

Neste abrigo, o Coliseo Roberto Clemente, os residentes tiveram que desalojar a área das quadras quando o teto começou a balançar pelos ventos, e foram transferidos para andares superiores.

"Um guarda me disse: 'o teto vai cair', e quando olhei para cima vi que o teto estava balançando como se fosse uma folha de papel. Perguntei se o teto era de papelão, e me disseram que não, que era de concreto", contou à AFP Suzette Vega, de 49 anos, abrigada no local.

Rosselló advertiu, na terça-feira, os residentes de que eles deviam se preparar para "a pior" tempestade do último século. Em 1928, o furacão , de categoria 5, matou 300 pessoas na ilha, segundo um documento da administração atmosférica americana (Noaa).

"Porto Rico está sendo duramente atingido por um novo e monstruoso furacão", tuitou pela manhã o presidente Trump. "Tenham cuidado. Nossos corações estão com vocês. Estaremos aí para ajudar".

- "Violento e intenso" -

Após sua passagem pelas Antilhas Menores, o furacão deixou dois mortos em Guadalupe e uma catástrofe ainda não avaliada em Dominica, onde há registro de sete mortos.

Um assessor do governo que falou com o primeiro-ministro de Dominica, Roosevelt Skerrit, descreveu um panorama devastador na ilha, de cerca de 73.000 habitantes.

"É difícil determinar a quantidade de falecidos, mas até agora há sete mortes confirmadas como consequência direta do furacão", disse o assessor Hartley Henry em um comunicado.

Relatórios enviados de comunidades rurais davam conta de uma "destruição total de casas, vias e cultivos", acrescentou.

"O país está em um estado de aturdimento. Não há energia elétrica, não há água corrente (...), não há serviço de telefone fixo nem de celular, e isso continuará assim por um tempo", acrescentou.

Enquanto isso, nas Ilhas Virgens americanas, os moradores contaram à AFP que viram árvores voarem, arrancadas pelo vento, e que chovia horizontalmente.

"Muito violento e intenso", resumiu Coral Megahy, de 31 anos, na ilha de Santa Cruz, uma das três ilhas principais deste pequeno arquipélago.