Tempestade Yakecan chega ao Brasil com ventos de até 100 km/h, queda de energia e suspensão de aulas

Mar revolto
Efeitos da tempestade em Maldonado, Punta del Este, no Uruguai; ela agora se aproximada do Brasil

A tempestade subtropical Yakecan ("som do céu", em tupi-guarani) atingiu litoral sul do Brasil na madrugada de terça-feira (17/05), provocando ventos de até 100 km/h, quedas de árvores e sinais de trânsito, interrupções no fornecimento de luz e suspensão de aulas.

Fornecedora de energia elétrica em parte do Rio Grande do Sul, a CEEE divulgou na noite de terça que 182 mil clientes estavam sem luz, com maior impacto registrado nas regiões da Campanha, Sul e Centro-Sul.

Antes, a Yakecan já havia atingido as costas da Argentina e do Uruguai, na segunda-feira. Após alcançar o continente, o fenômeno teve sua classificação alterada de ciclone para tempestade, o que significa ventos mais violentos e maior potencial destrutivo.

Apesar do impacto, meteorologistas dos três países descartaram que o Yakecan evolua para um furacão - com ventos acima de 120 km/h - e afirmaram que o mais provável é que a tempestade volte a se deslocar para leste em direção a alto mar a partir de quarta-feira (18).

Em Punta del Este e Piriápolis, na costa uruguaia, ventos e mar revolto cobriram de espuma marinha as vias à beira-mar. Até as 16h de ontem, um total de 23 mil residências tinham sofrido corte de energia no Uruguai. Em Montevidéu, um homem morreu ao ser atingido pela queda de uma palmeira no bairro de Paso de la Arena.

No Rio Grande do Sul, 32 municípios, incluindo Porto Alegre, tinham suspendido aulas nas escolas. Naquela capital, onde os ventos atingiram 50 km/h, um homem de 51 anos desapareceu na segunda-feira no naufrágio de um barco no Lago Guaíba em meio a fortes ventos.

Uma vez que o Yakecan só chegou ao Rio Grande do Sul na madrugada de terça-feira (17), as autoridades não consideraram que o incidente tenha sido provocado pela tempestade.

O primeiro alerta de tempestade foi emitido às 10h52min de terça-feira pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul, com vigência de 24 horas.

"Até o momento, não temos relato de estragos. Nossa equipe de meteorologistas está acompanhando evolução dessa tempestade", disse uma funcionária da Assessoria de Comunicação da Defesa Civil à BBC News Brasil.

O órgão recomenda que, até a manhã desta quarta-feira (18), pessoas na região leste do Rio Grande do Sul evitem sair de casa, ficar em baixo de árvores e postes ou deslocar-se por ruas e estradas. Sugere retirar equipamentos eletrônicos das tomadas, desligar registro de mangueiras de botijões de gás, verificar telhados, janelas e portas.

Em caso de emergência, a orientação é ligar para o Corpo de Bombeiros (193) ou Defesa Civil de Porto Alegre (199).

Depressões, tempestades e furacões são sistemas de baixa pressão atmosférica, fenômenos comuns no inverno no Atlântico Sul.

Fenômeno raro

Caracterizam-se por áreas de nuvens carregadas que provocam chuva e vento que se deslocam no sentido horário, normalmente sobre o oceano.

Ao se aproximar da costa, costumam apresentar diferenças de temperatura entre o interior do sistema (mais frio no caso dos sistemas extratropicais e mais quente no dos subtropicais) e o ambiente. É raro, porém, que esses fenômenos atinjam a zona costeira.

Quando isso acontece, o risco de danos em regiões povoadas é grande, como ocorreu com as tempestades Anita (2010, 85 km/h) e Raoni (2021, 85 km/h).

A diferença entre depressão, tempestade e furacão está relacionada à velocidade dos ventos associados ao sistema. Quando os ventos ficam entre 30 km/h e 50 km/h, o fenômeno é classificado como depressão. De 60 km/h a 120 km/h, passa a ser considerado tempestade, e acima de 120 km/h, furacão.

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