Temporada na Europa destaca renovação francesa e força do Brasil para Copa do Catar

Uma das melhores réguas para medir o tamanho de uma seleção é o desempenho de seus jogadores nas competições mais fortes do mundo. A temporada de clubes na Europa terminou no sábado, os jogadores têm agora uma sequência de compromissos pelas equipes nacionais antes das férias e, a seis meses da Copa do Mundo do Catar, o recado que a bola deu foi claro: os franceses estão fortes para conquistar o tricampeonato. E o Brasil é quem tem mais condições de evitá-lo.

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O levantamento do GLOBO tomou como referência as seleções da Champions e da Liga Europa, eleitas pelo corpo técnico da UEFA, e mais os jogadores com as melhores notas dadas pelo site Sofascore das cinco maiores ligas nacionais do Velho Continente (Inglaterra, Espanha, França, Itália e Alemanha). A seleção comandada por Didier Deschamps, que na sexta-feira jogará contra a Dinamarca, pela Liga das Nações, emplacou dez jogadores entre os melhores da temporada.

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Benzema, favorito ao título de melhor do mundo, e Mbappé, craque do PSG, são nomes óbvios da lista. O que chama a atenção é a presença de jogadores emergentes, que sequer fizeram parte do grupo campeão na Rússia. Nomes como Nukunku, do Red Bull Leipzig, entre os melhores do Alemão e na seleção da Liga Europa, Upamecano, do Bayern de Munique, Koundé, do Sevilla, Tchouameni, do Monaco. A renovação francesa não para.

A Alemanha aparece empatada com a França em número de jogadores, mas o dado acaba sendo inflado pela hegemonia do Bayern de Munique no Campeonato Alemão — o time emplacou o décimo título nacional seguido e é a base da seleção. A régua acaba sendo mais calibrada para medir o momento dos jogadores da seleção brasileira, todos longe de casa. Foram oito entre os destaques da temporada na Europa.

O principal deles é Vini Jr. O jogador apareceu na seleção da Champions e entre os melhores atacantes do Espanhol. Amanhã, estará no banco de reservas no amistoso do Brasil com a Coreia do Sul, em Seul, às 8h (de Brasília). A comissão técnica optou por poupar os jogadores que participaram da decisão entre Real e Liverpool, sábado — Alisson, Militão, Fabinho, Casemiro e Rodrygo, além de Vini Jr.

Rodrygo não apareceu entre os melhores do ano, apesar da temporada exitosa com o Real. Ainda que a renovação brasileira esteja em curso, dos mais jovens apenas Vini Jr. já alcançou a mais alta prateleira do futebol mundial. Todos os outros sete brasileiros que se destacaram são veteranos, como Thiago Silva, um dos melhores zagueiros da Premier League aos 37 anos.

Tira-teima argentino

Outra régua que existe para medir o potencial de uma seleção é o próprio desempenho recente em campo. Nessa, os argentinos aparecem bem. Os números da equipe sob o comando de Lionel Scaloni são animadores, com invencibilidade de 31 partidas. Porém, quando o assunto é o protagonismo de argentinos nas principais competições de clubes, a conversa é outra. Apenas quatro jogadores se destacaram na temporada, incluindo dois veteranos, Messi e Di María. Os outros foram o atacante Dybala e o goleiro Rulli. A disputa da Finalíssima, hoje, às 15h45 (de Brasília), contra a Itália, campeã europeia, dará uma noção melhor de qual régua é mais precisa em relação aos bicampeões do mundo. A sequência sem perder pode ser fruto do sarrafo mais baixo que os adversários sul-americanos impõem.

Outra seleção que desponta como forte para a Copa do Mundo, depois da temporada europeia, é a da Inglaterra. São oito jogadores entre os maiores destaques da temporada. O principal nome é o de Alexander-Arnold, do Liverpool, para muitos o melhor lateral-direito do mundo na atualidade. O que pesa contra as maiores expectativas sobre o English Team é justamente a falta de títulos. Mas depois de um quarto lugar na Copa da Rússia e do vice-campeonato na última Eurocopa, os ingleses têm o direito de ver a boa fase de seus jogadores nos clubes como um sinal de força também da seleção nacional.

Vácuo belga

Se a Inglaterra passa a impressão de estar próxima do sucesso, o mesmo não pode ser dito a respeito da Bélgica, que venceu os ingleses na disputa do terceiro lugar no Mundial da Rússia. A temporada europeia acabou deixando a sensação de que aquele resultado em 2018 foi realmente o teto da famosa geração belga.

Na sexta-feira, a seleção enfrentará a Holanda, pela Liga das Nações. O time conta com dois jogadores do mais alto nível, o goleiro Courtois, que brilhou na vitória do Real sobre o Liverpool, e o meia De Bruyne. Ambos apareceram na seleção da Champions e entre os melhores do Campeonato Espanhol e Inglês, respectivamente. Mas estão cada vez mais sozinhos. Hazard teve temporada nula no Real Madrid e Lukaku não vingou na segunda passagem pelo Chelsea. Terão do outro lado os também discretos holandeses, com Van Dijk brilhando no Liverpool e Depay com algum destaque no Barcelona.

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