Coca-Cola abre fontes a comunidades brasileiras e nega interesse em aquífero

Brasília, 21 mar (EFE).- A Coca-Cola Brasil, que participa do Fórum Mundial da Água, decidiu abrir e compartilhar as fontes de água que opera no país às comunidades locais e negou os rumores sobre um suposto interesse na compra do Aquífero Guarani.

"A companhia não está negociando, nem nunca negociou com o governo brasileiro nem teve nenhuma conversa sobre esse assunto", declarou à Agência Efe o vice-presidente de Relações Corporativas da Coca-Cola Brasil, Pedro Rios.

O Aquífero Guarani é uma das principais fontes de águas subterrâneas do mundo e abrange uma área de 1,2 milhão de quilômetros quadrados que fica sobretudo no Brasil, mas chega também a parte dos territórios de Argentina, Uruguai e Paraguai.

Uma onda de rumores divulgados sobretudo através das redes sociais divulgou nas últimas semanas que a Coca-Cola Brasil está negociando a possível aquisição de parte dessa área, mas Rios negou de forma enfática.

"Isso não é parte das crenças da companhia e nem sequer está contemplado na Constituição brasileira", por isso seria "impossível" que chegasse a ocorrer ou sequer se pensasse nisso, indicou.

Rios apontou, além disso, que "o entendimento da companhia sobre a água é que é um bem universal e um direito humano", que é como a define a Constituição brasileira.

O executivo da Coca-Cola Brasil disse que, nesse espírito que guia os negócios da companhia, a empresa decidiu "abrir as fontes que opera no Brasil às comunidades do seu entorno", e com isso "reforça esse compromisso e essa visão de que a água é um bem universal e um direito humano".

A empresa opera fontes naturais de água, as quais ficam em terrenos de sua propriedade, embora os recursos hídricos nelas contidos sejam considerados um "bem público", e por isso não podem ser privatizados.

"É a mesma norma que vale para o Aquífero Guarani", destacou Rios, que explicou ainda que as concessões para a operação dessas fontes são dadas pela Agência Nacional de Águas (ANA).

No marco do que definiu como "responsabilidade empresarial", o executivo disse que a empresa permitirá o acesso das comunidades locais a essas fontes mediante encanamentos que irão até as portas dos terrenos em que opera.

Essa iniciativa se inscreve no lema do Fórum Mundial realizado em Brasília, "Compartilhando Água", e Rios a vinculou aos compromissos sociais assumidos pela Coca-Cola.

Esses compromissos incluem uma maior eficiência no processo produtivo, que permitiu à empresa reduzir a quantidade de água que utiliza nos seus produtos, e um firme trabalho a favor de garantir uma maior disponibilidade desse recurso.

"No Brasil podemos dizer com orgulho que devolvemos dois litros de água à natureza para cada um que utilizamos", através de uma série de iniciativas e programas que apoiam o reflorestamento e, com isso, a geração de água, declarou.

Rios explicou que, atualmente, em sociedade com outras empresas privadas e organizações não governamentais, a Coca-Cola financia no Brasil diversos programas de sustentabilidade e relorestamemnto ao longo de 100 mil hectares em todo o país.

"Trabalhamos com as comunidades locais, e com isso foi possível que hoje haja madeireiros que passaram a se dedicar ao turismo ecológico" e, em vez de derrubar árvores, mostram aos visitantes a riqueza do maior pulmão vegetal do planeta, acrescentou. EFE