'Tenho a impressão que todos hoje evitam a palavra impeachment', diz Gilmar

Isabella Macedo
O ministro Gilmar Mendes

BRASÍLIA — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes avaliou nesta terça-feira que não há, no momento, vontade entre políticos para um eventual impeachment do presidente Jair Bolsonaro. O ministro afirmou, em uma transmissão ao vivo promovida por uma corretora de investimentos, que o processo de impedimento de um presidente leva a uma paralisia do país, o que não é desejado neste momento.

— Eu tenho a impressão, do que ouço falar no meio político, que todos hoje evitam a palavra impeachment, porque normalmente essa crise que desemboca no impeachment tem um efeito de paralisia do governo enquanto esse processo se desenrola. De modo que eu percebo, pelo menos, que importantes lideranças fogem dessa ideia — disse o ministro.

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Segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem, os brasileiros estão divididos em relação a um processo de impeachment de Bolsonaro. O levantamento aponta que 45% dos entrevistados querem que a Câmara inicie um processo de impedimento do presidente da República, e 48% rejeitam a ideia. Outros 6% dos entrevistados não souberam opinar.

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A saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública com declarações de que Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal para obter informações sobre investigações que podem atingir seus filhos gerou mais uma crise política que somou-se com a já vivida pelo país com a pandemia do novo coronavírus. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF a abertura de um inquérito para investigar as acusações, acatado pelo ministro Celso de Mello na noite de ontem.

Gilmar afirmou que, com a investigação em curso, é preciso esperar os resultados obtidos antes de se tirar conclusões ou partir para a abertura de um processo de impedimento. Para ele, é preciso verificar a existência de crime comum e, eventualmente, de crime de responsabilidade.

— Acho que são duas coisas que terão de ser verificadas. O que está se investigando no Supremo Tribunal Federal é a eventual existência de um crime comum, eventualmente a advocacia administrativa ou alguma coisa nesse sentido. Mas é claro, que se for verificada a existência do crime comum, se poderá discutir também a existência de um eventual crime de responsabilidade. É um outro tipo de análise que se faz na Câmara e no Senado, como vocês sabem. O processo inicial é na Câmara e, se a denúncia por crime de responsabilidade for aceita na Câmara, então se remete ao Senado, que funciona como órgão julgador — disse o ministro.

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