'Tenho que botar a boca no trombone para dizer que meu filho não é vagabundo', diz pai de lutador morto em São Gonçalo

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O pai do lutador de boxe e Muay Thai, Vitor Reis de Amorim, Valneci Ferreira, disse que vai lutar para provar que o filho, que foi morto com um tiro no peito nesta terça-feira, não era criminoso. No sepultamento do jovem, ele criticou a atuação dos policiais militares que relataram que foram atacados durante patrulhamento em São Gonçalo. A família acusa os agentes de terem disparado contra Vitor. O enterro foi na tarde desta quarta-feira, no cemitério São Miguel, também em São Gonçalo.

— Eu vou até o final para provar que meu filho não é o que falaram. Ele nunca foi bandido. Meu filho é lutador. Se a polícia abordasse ele, pediria até desculpa. Eles são despreparados. Não vou generalizar, porque precisamos da polícia, mas tem policiais despreparados e eles tiraram a vida do meu filho — desabafa.

Valneci diz também que Vitor lutava desde, pelo menos, os 10 anos de idade e que tinha ganhado uma moto que o pai ainda estava pagando.

— Dificilmente eles vão falar que mataram um trabalhador. Eu tenho que botar a boca no trombone para dizer que meu filho não é vagabundo. Eles chegaram lá atirando mesmo — afirma.

Segundo a Polícia Militar, agentes do 7º BPM (São Gonçalo) faziam patrulhamento pela Rua Mendes Ribeiro, no bairro Patronato, quando foram atacados a tiros por um grupo de homens armados e reviradaram. Os policiais encontraram um homem ferido que foi socorrido para o pronto socorro de São Gonçalo, mas não resistiu. Ainda de acordo com a corporação, uma pistola, munições e um rádio comunicador foram apreendidos no local e os suspeitos fugiram. O caso foi registrado na 73ª DP (Neves). De acordo com a Secretaria de Saúde de São Gonçalo, Vitor já chegou morto ao hospital com um tiro na região do peito esquerdo. Segundo o pai, o sonho de Vitor era ser lutador.

— Ele sempre falava "pai, tenho que treinar bastante porque tenho que me aperfeiçoar". Ele treinava todo dia. Esse era o sonho dele, só que interromperam.

No velório, o treinador de Vitor, José Romildo de Lima, contou que o jovem iria entrar para uma disputa de cinturão e teria uma luta no dia 30 de janeiro em Araruama.

— Vitor era guerreiro, coração. Ele lutava feliz. Fazia o que gostava e demonstrava isso. Infelizmente tiraram o sonho do garoto e levaram o meu junto — lamentou.

Além de boxe, Vitor também lutava muay thai e estava vencendo disputas nas duas modalidades.

— Ele queria seguir carreira de lutador e eu abracei. Botei ele no circuito de boxe, fomos campeões. No muay thai, a mesma coisa. Só vitória. Tinha tudo para crescer. Uma carreira limpa, dedicação... — disse o treinador.

Policiais da Corregedoria da PM estiveram no velório para convidar o pai de Vitor a prestar esclarecimentos. O porta-voz da PM, tenente-coronel Ivan Blaz, disse que a Corregedoria da corporação atua na apuração do caso e que há uma "guerra de narrativas" entre os policiais e a família do jovem:

— A Polícia Militar já colocou a Corregedoria para atuar diretamente nas apurações do caso desse confronto armado em São Gonçalo que resultou na morte de Vitor, de 19 anos. A gente tem nesse momento uma guerra de narrativas em que nós temos a versão dos policiais e a versão da família. Os policiais alegam que foram alvos de tiros de marginais e que houve um confronto. E a família alega que não havia qualquer confronto e que Vitor estava desarmado. Logicamente, a gente precisa agora fornecer todos os dados necessários para a perícia.

Esta manhã, o governador Cláudio Castro comentou sobre a morte do jovem e disse que se os policiais erraram vão ser "exemplarmente punidos".

– (O caso) já está na Polícia Civil. Eu não comento investigação. Essa é a polícia que mais pune quem não faz bem feito (que não cumpre a lei) e que erra. Se (algum dos agentes) errou, será punido. Mas eu nunca condeno antes do devido processo legal. Minha postura será essa. Sou favorável à polícia. Mas não pode cometer excesso. Se errou, será exemplarmente punido. Se não errou, não terá condenação antecipada – disse Castro esta quarta-feira, no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio.

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