Tensão aumenta na Costa do Marfim, onde o presidente Ouattara se aproxima da reeleição

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Agentes de choque protegem a sede da Comissão Eleitoral da Costa do Marfim em Abidjan, em 1 de novembro de 2020
Agentes de choque protegem a sede da Comissão Eleitoral da Costa do Marfim em Abidjan, em 1 de novembro de 2020

O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, que busca o terceiro mandato, se encaminhava para confirmar a vitória nas tensas eleições presidenciais no país, onde pelo menos nove pessoas morreram durante as votações boicotadas pela oposição. 

Segundo uma apuração da Comissão Eleitoral, que anunciou nesta segunda-feira os resultados de um quarto das 108 zonas eleitorais, Ouattara vencerá com folga, especialmente em seus redutos no norte do país. 

Mais do que os resultados previsíveis, os marfinenses temem que as eleições levem a uma escalada da violência, após mais de 30 mortes em confrontos políticos nos últimos meses. 

Depois das eleições de sábado, a tensão não parou de aumentar e quatro membros da mesma família morreram no domingo no incêndio de uma casa na cidade de Toumodi (centro).

Pelo menos nove pessoas morreram durante os vários incidentes no fim de semana, de acordo com um balanço parcial da AFP. 

As tensões na Costa do Marfim começaram em agosto, quando Ouattara defendeu a aprovação de uma nova Constituição que permitia que ele concorresse ao cargo pela terceira vez, embora a Carta Magna estabeleça um limite de dois mandatos. 

Os principais candidatos da oposição preferiram não fazer campanha, considerando a terceira disputa de Ouattara como um "golpe eleitoral". 

A oposição pediu no domingo uma "transição civil" e "a mobilização geral dos marfinenses para impedir a ditadura e o abuso de poder pelo presidente cessante". 

Já o partido no poder advertiu contra "qualquer tentativa de desestabilização". 

A Costa do Marfim enfrentou uma grave crise pós-eleitoral entre 2010 e 2011, na qual morreram cerca de 3.000 pessoas e que foi causada pela recusa do então presidente Laurent Gbagbo de deixar o poder em benefício de Ouattara.

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