Tensão política e incertezas na economia ameaçam investimentos, dizem analistas

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**ARQUIVO**  ITAPEVI, SP, BRASIL, 09-06-2015: Robôs automatizados colocam as caixas que saem das linhas de montagem. (Foto: Fabio Braga/Folhapress)
**ARQUIVO** ITAPEVI, SP, BRASIL, 09-06-2015: Robôs automatizados colocam as caixas que saem das linhas de montagem. (Foto: Fabio Braga/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A tensão política e as incertezas sobre os rumos da política econômica devem travar investimentos produtivos na economia brasileira nos próximos meses, dizem economistas.

Os aportes são medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo —ou FBCF. No segundo trimestre, o indicador teve queda de 3,6% em relação aos três meses iniciais de 2021.

O dado faz parte do PIB (Produto Interno Bruto) de abril a junho, cujos dados foram divulgados nesta quarta-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em parte, a retração é atribuída ao efeito do Repetro, o regime aduaneiro especial que permite ao setor de petróleo e gás importar bens de capital sem pagar tributos federais, incluindo plataformas.

Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, explicou que, entre o primeiro e o segundo trimestre, a entrada desses bens diminuiu, pressionando os investimentos para baixo. Além disso, a escassez de insumos na indústria, em ramos como o automotivo, também abalou o indicador, disse Rebeca.

Alexandre Espirito Santo, economista da Órama e professor do Ibmec-RJ, acrescenta um terceiro fator: a alta no valor de insumos. Com os custos de produção elevados na pandemia, a tendência é que empresários atrasem novos desembolsos, sinaliza o economista.

Se não bastassem esses fatores, o cenário para os próximos meses traz riscos adicionais, formados pela tensão política e pelas incertezas econômicas, aponta Espirito Santo.

“As eleições do próximo ano foram antecipadas. Isso, aliado à CPI da Covid-19, acabou afetando o andamento das reformas”, diz. “Com o clima de eleições extremamente polarizadas, a gente vai ficar em um Fla-Flu. Ou seja, na arquibancada, e não no lado racional. Isso atrasa investimentos. Infelizmente, é o que temos. Gostaria muito de estar errado”, acrescenta.

A pesquisadora Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), vai na mesma linha. Ela também diz que a tensão vivida pelo país na área política e incertezas sobre o rumo econômico devem impactar investimentos.

“O cenário não é um desastre, mas também não é favorável. Temos incertezas econômicas geradas pelas incertezas políticas”, define Silvia.

A economista ainda menciona que os juros mais altos e a possibilidade de produção menor na agropecuária, em meio à crise hídrica, podem frear investimentos em máquinas e equipamentos.

Nesta quarta, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) também divulgou seu indicador mensal de FBCF. Em junho, os aportes tiveram leve redução de 0,1% frente a maio, informou o instituto.

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