Tentativa de resgate de preso com helicóptero tem perguntas sem respostas; confira

·6 minuto de leitura
helicoptero.jpg

RIO — No último domingo, o piloto da Polícia Civil Adonis Lopes de Oliveira tinha agendado levar um casal de Angra dos Reis de volta à cidade do Rio. A viagem foi realizada no lugar de um amigo, também piloto, que estava se sentindo mal e não poderia trazer os passageiros que levara horas antes para o sul do Estado do Rio. No ponto de encontro, os dois homens embarcaram. Já na aeronave, eles anunciaram a mudança de planos: um resgate a um detento no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Com pistolas e fuzis em punho, os dois homens exigiram a mudança de rota. Adonis conseguiu frustrar o plano fazendo manobras e desviando a rota, que teve entre os pontos o Batalhão de Bangu, onde fez movimentos bruscos com o helicóptero para chamar a atenção do que acontecia no interior da cabine. O desembarque dos criminosos foi feito no Morro do Caramujo, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Eles ainda não foram localizados.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e tem apoio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), que poderá fornecer imagens de câmeras de segurança do complexo e investigar se houve movimentação atípica entre os detentos. Confira perguntas sem respostas até o momento:

1. Qual criminoso seria resgatado pela dupla?

A Polícia Civil quer descobrir quem é o bandido que seria liberto e fugiria pelo ar. O que se sabe é que o criminoso estaria no Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó. Em depoimento, Adonis Lopes de Oliveira contou que os sequestradores mostraram uma das unidades prisionais e exigiram que ele seguisse para lá. O Vicente Piragibe é a cadeia que abriga presos da maior facção criminosa. Atualmente, 1.400 detentos cumprem pena no regime semiaberto, mas nem todos têm autorização para deixar a unidade.

2. Quem é a dupla que sequestrou o piloto?

Os investigadores tentam identificar os dois homens que sequestraram o piloto e tentaram resgatar o preso. A identificação poderá ser feita pelas impressões digitais deixadas na aeronave. Em depoimento, o comandante da aeronave disse que eles afirmavam, durante o voo, que tinham que “resgatar o amigo” e que “tudo já estava preparado”. A dupla embarcou em Angra dos Reis e dois minutos depois anunciaram o plano. Com pistolas e fuzis, eles renderam Adonis e exigiram que o piloto seguisse para Bangu. No momento em que eles estavam perto do presídio, houve uma briga, já que o policial civil se recusou a pousar. Adonis conta que foi agarrado, teve luta corporal e em seguida ele diz que conseguiu convencer a dupla a abortar a missão. Posteriormente, a dupla pediu para descer perto do Morro do Caramujo, em Niterói.

3. Em qual local do complexo a dupla pretendia pousar?

Ainda não há confirmação, mas a polícia suspeita que os criminosos queriam descer no Instituto Penal Vicente Piragibe, em Bangu.

4. O plano foi elaborado por detentos que estão no Complexo de Gericinó?

Não se sabe ainda se o plano de fuga foi arquitetado pelos presos. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) afirmou que não registrou nenhuma movimentação atípica na cadeia. Entretanto, a pasta determinou que a Corregedoria Interna e a Inteligência apure possíveis planos de fuga e a participação de detentos no planejamento da fuga. A pasta garante ainda que têm equipes de segurança prontas para intervir em caso de alguma tentativa de fuga ou de invasão.

5. O governador fala em alguém pago. Seria alguém do sistema penitenciário?

Os dois homens disseram a Adonis que resgatariam um preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. Eles mostraram uma foto e o piloto acredita que o pouso seria no Instituto Penal Vicente Piragibe, mesma hipótese dos investigadores. O governador Cláudio Castro viu a situação com "estranheza". No momento em que a aeronave chegou à região, os presos já haviam sido recolhidos às celas. Ele destacou: "Não houve nenhuma movimentação de nenhuma natureza na penitenciária, o que faz até a gente achar que era alguém que foi pago e que achou que teria essa condição". A penitenciária tem, entre os detentos, integrantes da maior facção criminosa do Estado do Rio.

6. As inteligências da Polícia Civil ou da Seap falhou em não interceptar o plano?

As inteligências da Seap e Polícia Civil não tiveram informações sobre o plano de fuga. De acordo com a Seap, não foram identificadas movimentações atípicas nas unidades prisionais do Complexo de Gericinó. A pasta abriu um inquérito interno para apurar qual detento poderia ser beneficiado com o possível resgate e vai investigar se houve movimentação atípica entre os presos. As imagens das câmeras de segurança do complexo serão analisadas. O secretário de Polícia Civil, o delegado Allan Turnowski, disse já ter alguns suspeitos e que espera "em breve dar uma resposta". A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), que assumiu o caso, vai conduzir o inquérito sob sigilo.

7. Os criminosos encontraram com alguém no hotel?

Ainda não se sabe se os bandidos encontraram comparsas no hotel de luxo no Frade, em Angra dos Reis. O que se sabe até agora é que a dupla ficaria hospedada no local de domingo para segunda-feira. No entanto, os homens decidiram voltar horas depois do check-in. Sabe-se também que ambos pagaram cerca de R$ 3 mil no estabelecimento. Os investigadores vão solicitar câmeras de segurança do hotel no Frade para descobrir se os bandidos tiveram contato com outras pessoas.

8. Por que os bandidos anteciparam a volta de Angra? Isso já estava planejado?

A polícia ainda tenta esclarecer se já estava nos planos dos criminosos retornar para o Rio no próprio domingo ou se houve alguma mudança. Os criminosos alugaram a aeronave com a desculpa de passarem o domingo e a segunda-feira em Angra dos Reis. Ainda não se sabe o que os levou a antecipar voltar no domingo mesmo. Nesse dia o piloto que fez a viagem de ida pediu a Adonis que trouxesse os passageiros de volta ao Rio, dizendo que estava se sentindo mal. No trajeto de volta os bandidos o renderam de pistola e em seguida com fuzis, além de cobrirem o rosto com capuz. Eles então passaram a escolher o itinerário, desviando a rota para Bangu.

9. Por que os bandidos foram para Angra?

A polícia ainda não esclareceu totalmente o motivo da ida para essa cidade. O que já se sabe é que a quadrilha tinha procurado o táxi aéreo para um casal que passaria o domingo em Angra, voltando na segunda-feira. No entanto, quem apareceu para o voo foram os dois homens, e o retorno acabou “antecipado”. Ainda não se sabe se houve contratempos que levaram a dupla a partir para a cadeia no mesmo dia.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos