'Tentei pegar as crianças e ele veio na minha direção': como foi o ataque a creche de SC

Rodrigo Castro e Gilmar Bortese*
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Atenção: esta reportagem contém a descrição de um episódio de extrema violência.

Por volta das 10h30 desta terça-feira (4), um jovem de 18 anos parou sua bicicleta em frente à escola infantil Aquarela, no município catarinense de Saudades, e entrou pelo portão da frente. Ao ser abordado pela professora Keli Aniecevsk, de 30 anos, ele a matou a golpes de faca.

Ao ouvir os gritos, a professora assistente Mirla Renner, de 20 anos, correu em direção ao acesso principal para ver o que estava acontecendo. Também foi esfaqueada.

“Minha assistente, a Mirla, entrou sangrando na sala e caiu no chão”, contou a professora titular do Maternal 3, uma das cinco salas de aula do Aquarela.

No instante seguinte, o homem entrou na sala e avançou na direção da professora. Por mensagem de texto enviada à reportagem do GLOBO, ela descreveu o momento de pânico.

“Tentei pegar todas as crianças no colo para levar para fora e fugir. Mas, nisso, ele já veio na minha direção”, disse a professora.

Ela conseguiu desviar do ataque e correu para pedir ajuda.

Na sequência, o suspeito avançou contra as quatro crianças que estavam na sala. Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses, Murilo Massing, de 1 ano e 9 meses, e Anna Bela Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses, não sobreviveram ao ataque.

Uma quarta criança foi submetida a uma cirurgia e segue internada numa Unidade de Terapia Intensiva.

Pedidos de socorro

De sua casa, situada em frente à escola, Aline Biazebetti, de 27 anos, professora assistente da Aquarela, escutou pedidos de socorro. Pouco antes, ela chegou a ver o rapaz parando a bicicleta diante do colégio.

Após os gritos, a professora testemunhou algumas de suas colegas saindo pelo portão lateral. De imediato, ela ligou para a polícia e correu para ajudar a retirar as crianças da escola.

"Eu presenciei quando eles tiraram as duas crianças feridas. Me entregaram uma delas. E eu a levei para o hospital”, contou Aline ao GLOBO.

Ela ouviu de suas colegas outros detalhes sobre a ação. “Ele tentou entrar em outras salas, mas não sei por que motivo desistiu e seguiu para uma sala perto da entrada".

Algumas professoras conseguiram trancar as portas antes da aproximação do homem. Os gritos de desespero chamaram a atenção de vizinhos e pessoas que trabalhavam nos arredores.

Dois moradores entraram no colégio munidos com pedaços de madeira e seguiram em direção ao Maternal 3.

Ao perceber a aproximação, o criminoso cortou o próprio pescoço com a faca utilizada para matar suas vítimas. Ele não conseguiu concluir a tentativa de suicídio e ficou estirado no chão.

“Ele estava sangrando bastante, mas permaneceu consciente. Perguntava quantas pessoas tinha matado. E dizia que queria morrer”, diz o soldado Raphael Blazech, do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, que fez parte do primeiro grupo da corporação a chegar ao Centro de Educação Infantil Aquarela, minutos após o ataque.

O rapaz foi levado para um hospital na cidade de Chapecó e, até a publicação desta reportagem, seu quadro clínico era classificado como gravíssimo.

(* Especial para O GLOBO)