Teoria conspiratória sobre TSE levanta suspeita de ataque interno a urnas eletrônicas

Urnas eletrônicas utilizadas nas Eleições Gerais de 2018, em Curitiba, em 22 de outubro daquele ano (Foto: Reuters / Rodolfo Buhrer)
Urnas eletrônicas utilizadas nas Eleições Gerais de 2018, em Curitiba, em 22 de outubro daquele ano (Foto: Reuters / Rodolfo Buhrer)
  • Publicações nas redes sociais espalham teoria conspiratória sobre o TSE e uma suposta fraude interna nas urnas

  • De acordo com a história, haveria um receio de que o tribunal tenha programado as urnas para transferir votos de Bolsonaro para Lula

  • Não há, contudo, qualquer indício que sustente o boato

Publicações nas redes sociais espalham uma teoria conspiratória segundo a qual o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) teria supostamente programado as urnas eletrônicas para que votos de Jair Bolsonaro (PL) fossem transferidos para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A desconfiança, atribuída aos militares, chegou a ser expressada pelo coronel Marcelo Nogueira de Souza, levado pelo ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, a uma sessão realizada no Senado para debater as recomendações do Ministério da Defesa ao TSE para o aprimoramento do processo eleitoral. O coronel falou sobre a possibilidade de ataques internos às aos equipamentos de votação .

"A desconfiança dos militares é que o TSE tenha programado as urnas com um código malicioso que,no dia da eleição,seja capaz de computar p/ adversários, sobretudo Lula,parte dos votos dados p/ Bolsonaro", diz uma publicação no Twitter com mais de seis mil interações.

A história, contudo, se trata de uma teoria conspiratória e não há evidências que sustentem a desconfiança. Além disso, as Forças Armadas participaram do processo de lacração dos softwares eleitorais, os quais impossibilitam a violação dos sistemas utilizados nas urnas.

Captura de tela de um vídeo alegando que o TSE poderia ter programado as urnas com um
Captura de tela de um vídeo alegando que o TSE poderia ter programado as urnas com um "código malicioso" que transferiria votos de Bolsonaro para Lula (Foto: Twitter / Reprodução)

Em oportunidades anteriores, o TSE já explicou ser "absolutamente falsa" a afirmação de que programas maliciosos possam ser inseridos nas urnas, ao contrário do que espalha a teoria.

Isso porque o computador inserido na placa-mãe da urna conta com um sistema interno de certificados digitais. Tais certificados verificam todos os softwares instalados nos equipamentos de votação, reconhecendo apenas aqueles oficiais e sem qualquer adulteração.

Além disso, tais programas são assinados digitalmente por diversas entidades com o intuito de afastar a possibilidade de adulteração dos sistemas.

Neste ano, a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais ocorreu no último dia 2 de setembro. O evento contou com a participação do próprio coronel Marcelo Nogueira de Souza representando as Forças Armadas.

Origem da teoria

Antes de a teoria ganhar as redes, o coronel Marcelo Nogueira de Souza já havia falado sobre a possibilidade de haver um ataque interno às urnas eletrônicas. A afirmação havia sido feita em 14 de julho de 2022, durante uma sessão no Senado Federal que debateu recomendações do Ministério da Defesa ao TSE:

Segundo o coronel, tal ataque interno poderia passar despercebido pelo teste de integridade que é realizado nos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) no mesmo dia da eleição. O teste tem como objetivo verificar se os votos depositados nas urnas são iguais aos contabilizados.

Neste ano, pela primeira vez, será empregada a biometria na realização do teste.

Segundo Nogueira de Souza, até aquela data, o Ministério da Defesa não tinha acessado nenhum documento que permitisse concluir que as urnas são seguras a esses tipos de ataques: "é possível que um código malicioso tenha sim [...] sido inserido na urna e fique lá latente esperando algum tipo de acionamento".