'Ter perdido tudo e precisar recomeçar me deu aprendizado', diz coronel que morava no Palace II

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, nesta quinta-feira, uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) que havia mandado indenizar as vítimas do desabamento do edifício Palace II em 1998 no Rio de Janeiro. Uma delas é o coronel aposentado do Corpo de Bombeiros Marcos Silva, que havia se mudado com a família de Marechal Hermes para o edifício, realizando o desejo de morar perto do mar. Ele ajudou dezenas de pessoas a saírem do prédio naquela madrugada de horror.

— Ter perdido tudo e precisar recomeçar me deu aprendizado. Quando chegava às ocorrências, lembrava do que passei e conseguia entender o que é ser um desabrigado, um protagonista de uma tragédia — lembra.

Dinheiro de leilão: STJ mantém decisão que destina R$ 25 milhões para indenização de famílias do Palace II

Marcelo, filho único de Marilú e Jessé Barquero, conta que foi às lágrimas quando soube da decisão do STJ. Ele e os pais moravam no Palace II e, por sorte, não estavam em casa no momento da tragédia. O casal nunca mais conseguiu sair do aluguel e morreu sem sentir o sabor de alguma justiça. A mãe foi vítima de câncer de estômago, em 2019, aos 70 anos, e o pai, funcionário aposentado do Senado, perdeu a vida em maio do ano passado, aos 83, para a Covid-19.

— Meus pais lidavam com esse caso com muita tristeza. Eles venderam um imóvel em Brasília, o único que tinham, para comprar esse no Rio. Todo o dinheiro deles foi jogado fora — conta Marcelo, que hoje, com 51 anos, vive de bicos e mora com a mulher e a filha de 9 anos numa quitinete alugada em Brasília.

À frente da associação das vítimas, e também ex-moradora do Palace II, a advogada Rauliete Barbosa lembra que há famílias em dificuldade financeira até hoje.

— São 120 famílias que perderam tudo e aguardam a Justiça, que demora muito. A luta é grande — diz, antes de comemorar a vitória no STJ: — Nós já tivemos oito parcelas divididas, mas essa será a maior.

Segundo a defesa da associação das vítimas, são R$ 25 milhões que já estão sob a guarda da justiça. Os recursos, que ainda podem ser corrigidos, são fruto de um leilão, realizado em 2017, de um terreno em Brasília.

*Estagiária sob a supervisão de Leila Youssef

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