Terapeuta cria bonecos personalizados para ajudar crianças a superarem tratamento no Hospital Salgado Filho

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RIO — Brincar é muito mais do que um passatempo no setor de pediatria do Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte. É também uma maneira de aliviar o sofrimento e o estresse das crianças devido à internação, principalmente quando se deparam, na brinquedoteca terapêutica, com brinquedos que representam o momento pelo qual estão passando. São bonecos e bonecas com as cabeças cobertas por curativos, braços enfaixados, pernas engessadas, prontos para serem submetidos a uma tomografia ou em cadeiras de rodas. A ideia é ajudar o pequeno paciente a entender o que se passa com ele e ao que será submetido, além de tornar o ambiente hospitalar menos hostil e mais acolhedor.

— A internação em si angustia a criança, que se afasta da casa, dos brinquedos e da família. Cada uma reage de um jeito. É uma ruptura com o dia a dia delas. Nosso trabalho é uma forma de minimizar esse trauma, esse impacto da hospitalização e trabalhamos com o que é inerente à criança, que é o brincar — explica a terapeuta ocupacional e brinquedista Patrícia Cymerman, idealizadora do projeto “Bonecos Terapêuticos”, que tem se mostrado um poderoso aliado no processo de cura.

Patrícia, que virou uma espécie de fadinha da pediatria, é quem customiza os bonecos, com ajuda de uma equipe de estagiários. Tudo começou em 2014, de maneira improvisada, quando a terapeuta costumizou um coelho de Páscoa para acalmar um pequeno paciente. Depois passou para uma Barbie e, em seguida vieram os heróis e as princesas. Hoje são mais de 40 bonecos e três maquetes que representam o centro cirúrgico, a enfermaria e o centro de tomografia e ressonância. Tudo feito de material reciclável.

Nem todas as crianças da pediatria participam do projeto. Em geral, são encaminhadas pela enfermagem aquelas que chegam mais traumatizadas, temerosas e resistentes ao tratamento. Os pequenos participam ativamente do processo de desconstrução do medo, ajudando a confeccionar o boneco que representa a sua condição de paciente. O brinquedo faz companhia a eles durante toda a internação e quando recebem alta podem levá-lo para casa.

As mães também participam. Natália Fernandes de Moura Ribeiro de 23 anos, acha que a inclusão no projeto contribuiu para a rápida recuperação da filha Marcelly, de 7. A menina, que estava com alta prevista para a última sexta-feira, deu entrada na unidade uma semana antes com quadro de miíase, uma infecção na cabeça causada por larvas de moscas. Durante todo esse tempo, ela não desgrudava de uma boneca que estava com a cabeça enfaixada, como ela.

— O projeto deixa as crianças mais corajosas. Ela já acorda querendo brincar. Com certeza contribuiu para a rápida recuperação dela — diz a moradora de Quintino.

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