Terapeuta financeira dá 5 dicas para gerenciar ansiedade com o dinheiro

Cecilia Barría - BBC News Mundo
·6 minuto de leitura
Amanda Clayman
Amanda Clayman acumulou US$ 19 mil em dívidas antes de se tornar uma terapeuta financeira

Quando estava em Nova York, Amanda Clayman acumulou tantas dívidas no cartão de crédito que não sabia mais o que fazer.

"A vergonha me fez sentir que minhas conquistas profissionais e pessoais eram uma mentira", diz a profissional americana dedicada à terapia financeira, em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Um dia, Clayman pediu a sua mãe para cortar seu cabelo e o resultado foi catastrófico. Foi tão ruim que sua mãe pediu que Amanda fosse imediatamente ao seu cabeleireiro habitual.

"Não posso", respondeu Clayman. "Não posso voltar lá porque dei a ele um cheque sem fundo." Foi então que ela teve que contar toda a verdade à família. E a verdade é que ele tinha dívidas acumuladas em mais de US$ 19 mil (cerca de R$ 96 mil, em valores atuais).

O pior é que ela não tinha planos para lidar com uma situação fora de controle.

Com a ajuda da mãe, fez as contas, esboçou um orçamento mensal e elaborou um plano financeiro, algo que nunca havia feito antes.

"Resisti a fazer um orçamento porque temia que isso me privasse de minha liberdade", diz.

mulher com cartões de crédito
Clayman estava relutante em fazer um orçamento até perceber que precisava colocar suas finanças em ordem

Ela logo percebeu que o planejamento acabou se revelando "libertador" e, aos poucos, foi conseguindo diminuir as despesas, gerar receitas adicionais e acabou pagando as dívidas.

"O corte de cabelo me colocou em um caminho em que me tornei financeiramente sã, empoderada, e encontrei a paixão da minha vida."

Uma paixão que a levou a se formar como terapeuta financeira, após anos trabalhando como assistente social.

O que está por trás da 'ansiedade financeira'?

Hoje, Clayman atende clientes com problemas financeiros, dá consultoria a empresas, ministra cursos e conferências e escreve sobre esses assuntos.

Com essa experiência, tenta aplicar seus conhecimentos para enfrentar questões como a ansiedade financeira, um dos grandes males da atualidade, segundo ela.

Casal fazendo as contas
A ansiedade ocorre quando nosso corpo e cérebro nos dão um sinal de alerta para prestar atenção a algo que não está certo, diz terapeuta

A ansiedade, Clayman explica, ocorre quando nosso corpo e cérebro nos dão um sinal de alerta para prestar atenção a algo que não está certo.

É uma bandeira vermelha para reagirmos a um perigo potencial. Porém, o que costuma acontecer é que, quando as pessoas se sentem ansiosas, elas preferem não prestar atenção.

É por isso que, quando nos sentimos ansiosos por dinheiro, diz a terapeuta, normalmente tendemos a não pensar nisso e, pior ainda, a tomar decisões impulsivas.

Essas decisões, acrescenta, pioram a situação e acabam gerando mais ansiedade, o que nos deixa presos em um círculo vicioso.

Portanto, a primeira coisa a fazer é prestar atenção à ansiedade e analisar o que está acontecendo conosco.

Aqui estão as cinco etapas que Clayman recomenda para gerenciar a ansiedade financeira:

1) Abra a porta para a curiosidade

O primeiro passo é ficar curioso sobre seu dinheiro: desenvolver um interesse genuíno em saber o que está acontecendo em sua vida financeira, em vez de apenas se concentrar em descobrir como saldar algumas dívidas.

Para isso, uma abordagem adequada é começar nos perguntando o que o dinheiro está nos dizendo sobre como usamos nosso tempo e o que é realmente importante para nós.

Homem derrubando peças de dominó
É importante reconhecer o progresso que você fez em relação aos seus objetivos, em vez de buscar a perfeição, diz Clayman

2) Preste atenção ao seu dinheiro constantemente

Pelo menos uma vez por mês, deixe um espaço para fazer três coisas:

- Verifique o fluxo de dinheiro que entra e sai de sua conta bancária

- Antecipe o que está por vir em termos financeiros

- Faça um plano financeiro

Por exemplo, se o aluguel vai aumentar, você terá que alterar algumas coisas no orçamento para fazer os ajustes necessários antes que chegue a hora. A ideia é ter iniciativa em vez de esperar que as coisas aconteçam.

3) Reconheça seus próprios méritos

É importante reconhecer o progresso em direção aos objetivos em vez de buscar a perfeição.

Mesmo que você esteja dando pequenos passos, é uma mudança valiosa de comportamento que mostra que você é capaz.

Acabar com a ansiedade financeira é um processo que não pode ser alcançado da noite para o dia.

Cartões de crédito cortados
A terapeuta recomenda revisar o fluxo de dinheiro que entra e sai de sua conta

4) Deixe espaço para experimentação

Nós, adultos, estamos acostumados a tentar sempre fazer as coisas da "maneira certa", porque senão podemos achar que falhamos.

Muitas vezes não existe um caminho certo. E, se olharmos em volta, é possível que vários caminhos se abram.

A questão é que temos que nos dar espaço para sermos mais criativos.

5) Falta de dinheiro é uma 'boa notícia'

Embora possa parecer absurdo que a falta de dinheiro seja uma "boa notícia", na verdade se trata de mudar de ideia sobre como lidamos com as coisas.

Esta etapa aborda a importância de mudar nossa atitude sobre como respondemos aos desafios da vida e como construir resiliência diante deles.

Em vez de pensar "Não consigo lidar com esse problema financeiro", a maneira de lidar com isso é: "Posso ser forte, posso resistir e posso ser criativo para enfrentar os desafios".

Nesse processo, provavelmente descobriremos muitas coisas interessantes sobre nós mesmos e sobre como os assuntos pessoais afetam a maneira como lidamos com o dinheiro.

Homem em Wall Street
Se estivermos muito ansiosos, será difícil tomar decisões complexas, explica Clayman

'Não é uma fórmula mágica'

"A terapia financeira e as atitudes que queremos desenvolver em relação ao dinheiro não funcionam como um passe de mágica", adverte Clayman.

É um processo que começa com a aceitação de que temos um desafio e continua com uma jornada de exploração pessoal para descobrir o que aquele sinal quer nos dizer e desenhar um plano para modificar certos hábitos.

Se estivermos ansiosos demais, será difícil tomar decisões complexas, porque nos custa mais pesar os fatores positivos e os negativos que estão em jogo.

Por isso é tão importante, explica a terapeuta, prestar atenção à ansiedade e aprender a se distanciar para observar a situação.

"Você tem que diminuir a velocidade", diz.

Nesse processo, há muitas perguntas que valem a pena: qual o significado do seu trabalho, quais são suas prioridades, o que afeta seus objetivos, quais relacionamentos influenciam seu bem-estar financeiro, o que você pode mudar ou não.

E se você perder seu emprego?

Nesse caso, diz a terapeuta financeira, é preciso recuar e analisar o cenário com calma.

É conveniente conversar com aqueles com quem temos compromissos financeiros, como ligar para o dono do imóvel em que estamos morando e pedir flexibilidade.

Se você economizou antes de perder o emprego, precisa planejar como usar esse dinheiro.

Outro passo é pensar que você pode obter dinheiro de maneiras alternativas, mesmo que não seja o suficiente para cobrir todas as despesas.

Pagar uma parte da dívida do cartão de crédito evita que os juros disparem.

E não se esqueça de reduzir despesas. A ideia é tentar determinar quais coisas estão sob nosso controle para fazer um plano que permita seguir em frente na conquista de objetivos.

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