Terceira investigação judicial na Espanha contra o rei emérito

·2 minuto de leitura
Homem passa por graffiti do artista J.Warx que representa o rei emérito espanhol Juan Carlos dizendo "Crianças, depois farei um Bizum (transferência) para vocês"
Homem passa por graffiti do artista J.Warx que representa o rei emérito espanhol Juan Carlos dizendo "Crianças, depois farei um Bizum (transferência) para vocês"

O rei emérito da Espanha, Juan Carlos I, é alvo de uma terceira investigação judicial ligada a uma suposta lavagem de dinheiro, anunciou a Justiça nesta sexta-feira (6), dois dias depois do anúncio de outra investigação contra o ex-monarca exilado desde agosto. 

Há "uma terceira investigação sobre o avaliado (Juan Carlos I, ndlr), iniciada a partir de uma denúncia do serviço de prevenção à lavagem de dinheiro (SEPLAC)", informou o Ministério Público Federal à imprensa nesta sexta-feira. 

As investigações serão assumidas pelo Supremo Tribunal Federal, único com competência para julgar o ex-monarca, acrescentou o MP, sem dar detalhes sobre o conteúdo da investigação ou os motivos da suspeita. 

Na mesma semana, ficou-se sabendo da existência de outra investigação sobre Juan Carlos I pelo possível uso de contas bancárias em nome de terceiros, aberta secretamente pelo Ministério Público anticorrupção no final de 2019, segundo o jornal digital eldiario.es.

Além disso, desde junho, o Supremo Tribunal investiga a suposta cobrança de comissões pelo rei emérito vinculadas à atribuição a um consórcio de empresas espanholas de um contrato para a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade na Arábia Saudita em 2011. 

Conforme explicado pelo jornal suíço La Tribune em Genebra, Juan Carlos I teria recebido uma transferência de US$ 100 milhões da monarquia saudita para um banco suíço em 2008. 

A justiça suíça também investiga as contas bancárias do monarca, que no início de agosto se exilou nos Emirados Árabes para, segundo suas declarações, "facilitar o exercício" das funções de seu filho e herdeiro Felipe VI. 

Diante do escândalo gerado na Espanha, o advogado do rei emérito garantiu dias depois que seu cliente ainda estava à disposição da Justiça espanhola. 

Por lei, o chefe de Estado goza de imunidade durante o exercício das funções, o que faz com que Juan Carlos I só possa responder pelos crimes alegados contra ele cometidos após a sua abdicação, em junho de 2014. 

No caso da segunda investigação, quanto ao uso de contas bancárias em nome de terceiros, são atos cometidos a posteriori. Portanto, se ficar comprovado que o ex-monarca utilizou esse dinheiro ignorando a tributação, poderia ser acusado para lavagem de dinheiro. 

Coroado logo após a morte do ditador Francisco Franco (1975), o rei Juan Carlos desempenhou um papel fundamental na transição democrática da Espanha, mas sua imagem foi fortemente afetada nos últimos anos por inúmeros escândalos.

mig/dbh/mis/bn