'Terceira via é uma mentira', diz Alexandre Frota na Parada LGBT+

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.08.2019 - Pré-candidato a deputado estadual em São Paulo, Alexandre Frota (PSDB). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.08.2019 - Pré-candidato a deputado estadual em São Paulo, Alexandre Frota (PSDB). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pré-candidato a deputado estadual em São Paulo, Alexandre Frota (PSDB) esteve no Camarote Pride do hotel Blue Note na Parada LGBT neste domingo (19), ocasião em que afirmou que a terceira via "é uma mentira". "É morta, não é organizada e não vai chegar lá. A gente precisa encontrar uma maneira concreta de tirar o Bolsonaro de lá. Eu lutei para colocá-lo lá e vou lutar para tirá-lo."

A mudança de posicionamento, diz à Folha, ocorreu depois que Jair Bolsonaro o traiu, em suas palavras, e pediu sua expulsão do PSL, partido pelo qual tanto ele quanto o presidente foram eleitos, ainda no primeiro ano de seu mandato como deputado federal.

PERGUNTA - Como foi a mudança do PSL para o PSDB?

ALEXANDRE FROTA - Foi traumática. Eu não esperava. Foi muito cedo, em março de 2019, quando Bolsonaro pediu minha expulsão do PSL, comandado pela Carla Zambelli e pelo Daniel Silveira [a decisão do partido saiu em agosto daquele ano]. Pra mim, foi muito traumático porque naquela época o Bolsonaro ainda tinha 60% de aprovação popular, então apanhei muito. Foi uma decisão difícil, mas não me arrependo nem um pouco. Hoje, vejo que as pessoas me dão muita razão.

P. - Se você tivesse feito a transição agora, teria sido mais fácil?

AF - Eu não ia resistir até agora. De alguma forma, eu teria saído, mas a decisão em março foi difícil porque estava no início da legislatura. Ninguém acreditava que pudesse acontecer, então foi muito difícil, mas superei a pressão e sigo trabalhando.

P. - Hoje você tem algum contato com Bolsonaro e com sua cúpula?

AF - Não tenho nenhum contato com Bolsonaro. Estou na lista negra dele. Os ministros não me atendem. Mas também não faço questão nenhuma. Não tenho nenhum amor por este governo. Foi um governo irracional, que não fala com as minorias, que não fala com os LGBTs, com as mulheres, com as pessoas que realmente precisam ser atendidas neste país. A gente tem que reverter isso. Eu ainda mais, porque fui uma das pessoas que gritei aos quatro cantos que as coisas iam melhorar, mas hoje a gente vê milhões de brasileiros desempregados, fome, miséria, desigualdade, os LGBTs sendo agredidos e assassinados. As pessoas que fazem o bem para o país são mortas, como o Bruno [Pereira, indigenista] e o Dom [Phillips, jornalista] e tantas outras pessoas. Não me arrependo de nada que fiz e me orgulho de ter amadurecido. Estou saindo tranquilo.

P. - Como você enxerga as eleições deste ano?

AF - As eleições vão ser complicadas, recheadas de fake news, de ataques, ameaças e violência, mas a gente não pode se afrouxar. O brasileiro já decidiu em relação a Bolsonaro ou a Lula. Não existe terceira via. A terceira via é uma mentira. É morta, não é organizada e não vai chegar lá. Se você fizer as contas, não tem tempo para surgir um herói ou uma heroína capaz de mudar a história. A gente precisa encontrar uma maneira concreta de tirar o Bolsonaro de lá. Eu lutei para colocá-lo lá e vou lutar para tirá-lo.

P. - Você vai votar em quem?

AF - Não vou votar no Bolsonaro. Isso você pode ter certeza. Vou esperar e mais para frente vou anunciar minha decisão, mas com certeza no Bolsonaro nunca mais.

P. - Considerando que você acredita que a terceira via não existe, como será seu voto?

AF - Espero que liquidem o Bolsonaro no primeiro turno. Isso seria melhor para o país. Mas ele ainda tem uma bolha muito forte de pessoas radicais e apaixonadas que não enxergam que o país está com fome, que a gasolina está cara, que o gás está caro. Não consigo entender como estas pessoas não enxergam isso, então vai ser complicado, mas vamos trabalhar para isso.

P. - No segundo turno, se as opções forem em Bolsonaro e Lula, em que você votará?

AF - Vou votar em qualquer um que vá para o segundo turno contra o Bolsonaro. Se você for, meu voto é seu.

P. - E se for o Lula?

AF - Vamos lá. Vai ser ele.

P. - O Bolsonaro já fazia, antes de ser eleito, declarações contra artistas, a comunidade LGBT e a cultura em geral. Por que você se surpreendeu?

AF - O Bolsonaro prometeu para mim que, de alguma forma, ia dar uma solução para uma cultura com mais investimentos. O problema é que, assim que ele assumiu o governo, ele traiu todos nós. Ele se vingou da classe artística, porque ele nunca engoliu aquela hashtag #EleNão.

P. - E o que te traz à Parada LGBT hoje?

AF - Temos que celebrar a diversidade. As pessoas têm o direito de ir e vir, ou seja, têm direito à sua orientação sexual. Não dá para concordarmos com as barbáries que temos vivido.

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