Terceira via foi sequestrada pelo caciquismo político, diz Felipe d'Avila, do Novo

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 04.12.2018 - Pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Luiz Felipe d'Avila. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 04.12.2018 - Pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Luiz Felipe d'Avila. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Luiz Felipe d'Avila afirmou que a chamada terceira via foi "sequestrada pelo caciquismo político".

Ele disse ainda que o Novo se retirou das conversas com MDB, União Brasil, PSDB e Cidadania por causa desse motivo. "A discussão foi capturada pelos caciques partidários, que não querem saber de discutir projeto de país. Eles estão preocupados em saber quantos deputados eles vão eleger."

D'Avila participou de sabatina realizada por Folha de S.Paulo e UOL nesta quarta-feira (27). A entrevista foi conduzida pela apresentadora Fabíola Cidral, pelo colunista do UOL Josias de Souza e pela jornalista da Folha de S.Paulo Catia Seabra.

O cientista político assumiu a pré-candidatura após a desistência de João Amoêdo em meio ao racha entre bolsonaristas e antibolsonaristas no partido.

Ele afirmou que antes de oficializar a pré-candidatura já trabalhava pela união da terceira via e que teve "conversas muito boas" com nomes como o ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta, o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

"O problema é que agora isso não está nas mãos dos candidatos, mas, sim, nas dos presidentes de partidos. Ninguém está pensando no Brasil. Qual é a pauta? Se não vamos ter conversa séria, não me interessa participar. Não vou endossar mais uma candidatura que não vai fazer o que o Brasil precisa para crescer. Não vou participar de uma farsa", continuou.

D'Avila disse que também não vê possibilidades de se aliar ao pré-candidato Ciro Gomes (PDT) e que o nacional-desenvolvimentismo é a "fórmula do fracasso". "Eu parabenizo ele porque é o único candidato que tem um plano do que quer implementar no Brasil. Eu discordo desse plano, mas é o único que apresentou proposta."

O cientista político também afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) são "absolutamente iguais" e disse que os dois trazem riscos à democracia brasileira. "É o fim da democracia no Brasil se Lula ou Bolsonaro ganharem [as eleições]. Vamos ter que ir à trincheira defender a democracia no Brasil. Vivemos um autoritarismo do populismo de direita e de esquerda (...) Achar que um é menos ameaça que o outro é autoengano." ​

Ele afirmou ainda que considera que o Brasil hoje está "vivendo 1963", em referência às vésperas do golpe militar no país de 1964. "Golpe militar, não, mas estamos à beira de ver a democracia entrar em crise como nós tivemos em 1963. O golpe é o do populismo, esse é o problema. E ele tem outra estratégia de golpe, que é esgarçando a credibilidade das instituições."

D'Avila também criticou o indulto concedido por Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e comparou o caso com a concessão de asilo ao ex-terrorista italiano Cesare Battisti por Lula.

"Cada um escolhe o criminoso que quer. O Bolsonaro usou agora um poder presidencial para livrar um criminoso, o Daniel Silveira, uma ameaça à democracia em seu discurso e em sua posição. E o Lula escolheu o Cesare Battisti, um terrorista. Onde é que está o Estado de Direito? Onde estão as instituições trabalhando para o povo?"

Ex-tucano, d'Avila coordenou o programa de governo presidencial de Geraldo Alckmin em 2018, mas posteriormente deixou o partido. Na sabatina, o cientista político criticou a decisão de Alckmin, a quem se referiu como seu amigo, de ser vice-presidente na chapa de Lula e disse estar decepcionado com essa atitude.

"Fico muito triste com a atitude de se juntar ao Lula, porque eles sempre foram dois campos muito nítidos e opostos (...) Agora, Alckmin presta a sua história e reputação para validar justamente um candidato que representa o oposto dessa agenda modernizadora que o Brasil precisa", disse.

"É uma decepção ver o meu amigo se aliar ao Lula neste momento em que nós todos precisamos estar unidos para salvar a democracia das garras do populismo, seja o de Lula ou o de Bolsonaro", continuou.

O cientista político disse ainda que, em um eventual segundo turno entre os dois candidatos, ele irá anular o seu voto —assim como fez nas eleições presidenciais de 2018. E que uma mulher do partido Novo deverá compor sua chapa, ocupando a vaga de vice-presidente.

Contrário ao uso de recursos do fundo eleitoral, d'Avila afirmou que ele não democratiza eleições, mas é "a maior forma de perpetuação da oligarquia política". E estimou o custo de sua campanha presidencial em R$ 4 milhões por meio de contribuições de filiados, pessoas físicas e apoiadores.

D'Avila disse também que defende a volta do financiamento empresarial para campanhas, desde que seja estabelecido um teto nos valores.

Ao longo da sabatina, o cientista político defendeu pautas como a abertura da economia e o combate ao corporativismo e afirmou que é preciso ampliar as parcerias público-privadas nos diversos setores da sociedade.

​D'Avila atacou o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmando que ele traiu o liberalismo. "O posto Ipiranga tornou-se o frentista do corporativismo, fazendo com que estourasse o teto de gastos e desse mais dinheiro para servidor público. É um liberalismo de araque, queremos fazer o liberalismo de verdade"

Ele disse ainda que o valor do auxílio emergencial deve ser mantido em R$ 400 e não pode ser aumentado.

"É um absurdo, não podemos dar mais dinheiro. Não é só esse projeto, tem os 5% do aumento do funcionalismo público. O governo Bolsonaro repete a tragédia do governo Dilma [Rousseff]. Chega em ano eleitoral, estoura as contas públicas para distribuir dinheiro para todo mundo para tentar ganhar as eleições."

Ao ser questionado se a reforma administrativa que ele propõe contemplaria os militares, o cientista político afirmou que é preciso criar um regime previdenciário igual para todas as pessoas. "A lei tem que ser igual para todos. Temos que acabar com esses feudos de privilégio no Brasil. Temos que ter coragem para enfrentar isso."

Perto do final da sabatina, D’Avila afirmou que se considera um liberal em todos os sentidos. "Ser liberal na economia e conservador nos costumes não é o Brasil. A gente tem que ser liberal no princípio. E o princípio base do liberalismo é a liberdade de escolha das pessoas."

Momentos depois, no entanto, o pré-candidato se colocou contrário à legalização do aborto e à legalização da maconha. Ao ser questionado pela apresentadora, o cientista político afirmou que essa é sua opinião pessoal, mas que jamais "vetaria alguma matéria aprovada pelo Congresso que é de desejo do povo".

"Eu, pessoalmente, tenho as minhas convicções. Se o Congresso aprovar, a gente descentralizar [o poder] e o estado resolver legalizar a maconha, eu não vou entrar no Supremo e dizer que aquilo é inconstitucional. Vou respeitar a vontade das pessoas", disse.

A última pesquisa Datafolha, divulgada em 24 de março, mostra Lula com 43% das intenções de voto, contra 26% de Bolsonaro, 8% de Moro, 6% de Ciro, 2% de Doria (PSDB) e Janones (Avante) e 1% de Simone Tebet (MDB), Vera Lúcia (PSTU) e Felipe d'Ávila (Novo). Moro não é mais pré-candidato ao Planalto.

​​RAIO-X

Luiz Felipe d'Avila, 58

É graduado em ciências políticas pela Universidade Americana em Paris, com mestrado em administração pública pela Harvard Kennedy School. É fundador do Centro de Liderança Pública (CLP); foi coordenador do programa de governo de Geraldo Alckmin para a Presidência em 2018 e diretor-superintendente da editora Abril; é autor de livros sobre história e política

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