Terceirizados do HC de SP foram sete vezes mais infectados pela Covid-19 do que médicos da UTI

Redação Notícias
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Hospital das Clinicas em São Paulo (Foto: Divulgação/Governo de São Paulo)
Hospital das Clinicas em São Paulo (Foto: Divulgação/Governo de São Paulo)

Um inquérito sorológico que testou cerca de 5 mil profissionais do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), divulgado na quinta-feira (3), concluiu que funcionários terceirizados foram mais de sete vezes mais infectados pela Covid-19 do que médicos que atuam nas UTIs do local e lidam diretamente com pacientes com a doença.

Segundo a pesquisa, entre os profissionais que trabalham nas UTIs e que têm contato direto com os doentes, só 6% foram infectados. Já entre os funcionários terceirizados, de setores como os de limpeza, lavanderia e segurança, 45% já contraíram o vírus.

De acordo com o levantamento, a escolaridade, local de residência, uso de transporte público e tempo gasto entre a casa e o hospital, também levantados na pesquisa, são fatores de risco maiores do que o próprio ambiente hospitalar.

O objetivo da pesquisa era saber se os profissionais que trabalham na área exclusiva da Covid-19, mesmo assintomáticos, já tinham sido infectados pelo coronavírus.

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A conclusão é que a maioria dos profissionais foi contaminada pelo coronavírus fora do local de trabalho. De acordo com a infectologista Silvia Costa, que coordenou a pesquisa, a renda de um salário mínimo, a distância de 10 km do trabalho e o uso do transporte público aumentaram em três vezes a chance de um funcionário do HC pegar Covid-19.

“Os dados mostram que a transmissão comunitária, em um país com problemas estruturais como o nosso, pode ser maior até mesmo do que dentro de um hospital”, diz a infectologista.