Bomba colocada por bolsonarista em aeroporto do DF foi acionada, mas falhou, diz PF

Brasília registrou diferentes suspeitas de bomba antes da posse de Lula (PT) no início deste ano - Foto: REUTERS/Adriano Machado
Brasília registrou diferentes suspeitas de bomba antes da posse de Lula (PT) no início deste ano - Foto: REUTERS/Adriano Machado

O 'Fantástico' deste domingo detalhou a participação do terceiro envolvido na preparação de um ataque a bomba em Brasília em dezembro: Wellington Macedo de Souza, cuja identidade foi relevada neste domingo. Ele tinha prisão domiciliar decretada e é considerado foragido, depois de retirar, de forma ilegal, sua tornozeleira eletrônica.

Mesmo condenado, ele frequentava o acampamento de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília e fez o transporte das bombas com outros radicais que tentaram fazer um atentado no Aeroporto Internacional de Brasília.

Wellington é o terceiro homem envolvido na tentativa frustrada de ataque ao aeroporto – a justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia neste domingo e tornou os três réus. O programa indicou, ainda, que radicais bolsonaristas também planejavam explodir subestações de energia em Brasília.

Bomba no Natal

Além de Wellington, os outros homens envolvidos na tentativa de explodir o aeroporto eram George Washington Oliveira de Sousa, que foi o responsável por montar a bomba, e Alan Diego dos Santos Rodrigues, que recebeu a bomba e levou até o local com a ajuda de Souza. Apenas George está preso – Alan e Wellington estão foragidos.

Os dois colocaram a bomba em um caminhão carregado de querosene. De acordo com a investigação do programa, eles chegaram a acionar o artefato para que explodisse no dia 24 de dezembro. Mas uma falha na montagem evitou a explosão.

De acordo com a investigação do Fantástico, Wellington Macedo de Souza é um bolsonarista radical com forte presença em redes sociais. Ele teve a prisão decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por incentivar os atos antidemocráticos de setembro de 2021. Cumpria prisão domiciliar e usava tornozeleira eletrônica, o que contribuiu para o monitoramento da polícia.

Toda a movimentação foi documentada por causa da tornozeleira. Depois da tentativa de explosão, Souza arrancou a tornozeleira e fugiu.

O programa ainda mostrou que antes mesmo da tentativa de ataque ao aeroporto, eles haviam participado dos ataques a Brasília no dia 12 de dezembro, quando vândalos tentaram invadir a sede da Polícia Federal e colocaram fogo em ônibus e carros, depredando parte da região central da capital federal.

Radicais miravam outros ataques

Além da tentativa de explodir um caminhão no caminho para o aeroporto, com a intenção de espalhar o caos, a investigação do Fantástico mostrou que o grupo de radicais tinha outro plano terrorista, que deixou a Polícia Civil em alerta logo após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e antes da invasão dos prédios públicos.

Segundo o programa, a polícia recebeu uma denúncia anônima de que outro radical, identificado como Armando Valentin Settini Lopes de Andrade, tinha planos de explodir subestações de energia em Brasília. A partir da denúncia, a polícia monitorou o suspeito, que foi preso depois de participar dos atos terroristas do dia 8 de janeiro.