Terceiro dia de protestos no Haiti termina em um morto e um ferido

Manifestantes protestam em Porto Príncipe, no Haiti, em 9 de fevereiro de 2019

Várias manifestações contra a inflação e para exigir a saída do presidente haitiano, Jovenel Moïse, paralisaram no sábado (9), pelo terceiro dia consecutivo, as atividades das principais cidades do Haiti e deixaram pelo menos um morto e um ferido.

Um jovem faleceu, e outro ficou ferido a tiros no sábado à tarde, no centro de Porto Príncipe, onde centenas de pessoas se reuniram para pedir a saída imediata de Moïse, após a publicação de um informe sobre corrupção e má gestão do dinheiro público.

Diante do hospital para onde o corpo foi levado, a polícia atirou para o alto para dispersar um grupo enfurecido de cerca de 200 pessoas.

Pela manhã, também houve manifestações em outras cidades próximas da capital para protestar contra a alta dos preços.

À tarde, as principais estradas de acesso à área metropolitana de Porto Príncipe foram bloqueadas por barricadas de pneus em chamas.

"Apesar das dificuldades, a polícia mobiliza todos os seus esforços para garantir a segurança das vidas e dos bens das pessoas em todo país", declarou a Polícia Nacional do país (PNH) à AFP.

Organizadas no aniversário do fim da ditadura de Duvalier, em 7 de fevereiro de 1986, as manifestações opositoras exigem um fortalecimento das instituições do Estado, contaminadas pela corrupção.

Na semana passada, o Tribunal Superior de Contas divulgou um informe de auditoria sobre a calamitosa gestão e os possíveis desvios de fundos emprestados desde 2008 pela Venezuela para o Haiti, com o objetivo de financiar seu desenvolvimento econômico e social.

Cerca de 15 ex-ministros e altos funcionários são apontados no documento, assim como uma empresa dirigida naquele momento pelo atual presidente. A companhia é identificada como beneficiária de recursos para um projeto de construção de uma estrada sem que qualquer contrato tenha sido assinado.