Turquia se queixa com Rússia por morte de soldado atribuída a curdo-sírios

Istambul, 23 mar (EFE).- O governo da Turquia convocou o encarregado de negócios da embaixada da Rússia para queixar-se de um tiroteio com milícias curdas aliadas com Moscou na fronteira com a Síria no qual morreu ontem um soldado turco, informou nesta quinta-feira o porta-voz de Relações Exteriores turco, Huseyin Muftuoglu.

"Convocamos o encarregado de negócios da embaixada russa imediatamente depois do incidente e lhe transferimos nossa séria intranquilidade", disse o porta-voz à agência de notícias turca "Anadolu".

Um soldado turco que estava de guarda no posto de vigilância fronteiriça de Bukulmez, na província meridional de Hatay, morreu ontem em decorrência de um disparo que as forças armadas turcas atribuem a um franco-atirador das milícias curdas Unidades de Defesa Popular (YPG), que dominam o enclave de Afrin, no noroeste da Síria, e estão vinculados ao partido curdo-sírio União Democrática (PYD).

"Falamos de um ataque contra a Turquia que procede de uma área sob controle do YPG-PYD. Mas, como a Rússia, no marco dos acordos existentes, tem a responsabilidade de controlar as violações (do cessar-fogo sírio) nesta região, convocamos o encarregado de negócios russo para repassar-lhe a questão", disse Muftuoglu.

"Nesta reunião também voltamos a transferir-lhe nossas opiniões sobre a presença de elementos militares russos em Afrin", acrescentou.

Na segunda-feira foi anunciado que a Rússia tinha decidido, junto com as YPG, estabelecer uma base militar em Afrin, apesar de Moscou ter assegurado que se trata unicamente de um "centro para vigiar o cessar-fogo", uma explicação que não convence Ancara.

Muftuoglu criticou ainda o fato de a Rússia manter boas relações com o PYD-YPG, que a Turquia considera uma organização terrorista por seus vínculos com o Partido de Trabalhadores de Curdistão (PKK), a guerrilha curda da Turquia.

"É uma verdade óbvia. Esperamos da Rússia que dê o passo de fechar o escritório (do PYD em Moscou)", concluiu o porta-voz das Relações Exteriores.

Por sua vez, a Turquia respondeu ao incidente ainda ontem com fogo de artilharia e pelo menos dez pessoas ficaram feridas em Afrin, segundo informaram ativistas e fontes curdas. EFE