Terceiro suspeito de tentar explodir bomba em Brasília participou de atos com indígena preso

Preso por suspeita de participação em um plano para explodir uma bomba nos arredores do Aeroporto Internacional de Brasília, Alan Diego dos Santos Rodrigues, de 33 anos, estava foragido da Justiça desde dezembro do ano passado. Na capital federal, ele participou de atos ao lado do indígena José Acácio Serere Xavante, também em prisão preventiva, de audiência no Senado para questionar o resultado das eleições e de discursos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em frente ao Palácio da Alvorada.

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O eletricista e taxista mato-grossense se entregou nesta terça-feira às autoridades na Delegacia de Comodoro. Ainda em dezembro, foi preso George Washington de Oliveira Sousa. Um terceiro suspeito, o jornalista cearense Wellington Macedo de Souza, vinha cumprindo prisão domiciliar e é considerado foragido depois de retirar o equipamento sem autorização da Justiça.

Santos compartilhou vídeos de manifestações antidemocráticas desde 24 de novembro do ano passado, quando postou as primeiras imagens feitas em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília.

Em 30 de novembro, Santos publicou um vídeo de dentro do Senado. Na ocasião, uma audiência da Comissão de Fiscalização e Controle do Senado (CTFC) debatia "indícios de anomalia no processo eleitoral de 2022". O encontro foi solicitado pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE).

Dois dias depois, Santos compartilhou vídeos de manifestações golpistas no Aeroporto de Brasília, local onde posteriormente tentaria realizar um atentado a bomba. As imagens mostram em destaque um grupo de indígenas apoiadores de Bolsonaro, capitaneados por Serere Xavante.

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Santos também participou de um protesto antidemocrático realizado no Park Shopping, na capital federal. Os participantes questionavam, mais uma vez, o resultado das eleições presidenciais.

Em 7 de dezembro, Santos compartilhou uma foto da Câmara dos Deputados. Ele aparece na imagem ao lado do parlamentar bolsonarista Hélio Lopes (PL).

Santos também estava presente no primeiro discurso de Bolsonaro após a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após 37 dias sem se manifestar publicamente, em 9 de dezembro o ex-presidente rompeu o silêncio e se dirigiu a apoiadores que se aglomeraram diante do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

O último vídeo compartilhado por Santos nas redes sociais é de 20 de dezembro do ano passado, quatro dias antes de um artefato explosivo ser encontrado pelo motorista de um caminhão de combustível nas proximidades do aeroporto de Brasília. O objetivo da tentativa de atentado seria provocar uma intervenção das Forças Armadas e o impedimento da posse de Lula.

Santos, George Washington e Wellington Macedo são réus pelo crime de explosão, quando se expões "a perigo a vidam na integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos". A pena é de três a seis anos de prisão e pagamento de multa.

O jornalista está foragido da Justiça. Ele estava em prisão domiciliar mas retirou, de forma ilegal, a tornozeleira eletrônica que usava. Ele já havia sido preso pela Polícia Federal em setembro de 2021, suspeito de articular e financiar um ato antidemocrático no dia 7 de setembro daquele ano.

George Washington foi preso em dezembro e é apontado como o responsável por montar a bomba. Santos recebeu o artefato e levou até o local com a ajuda de Macedo.