Termina sem veredicto primeiro dia de deliberações no julgamento de Weinstein

Harvey Weinstein em 14 de fevereiro

O primeiro dia de deliberações do júri no processo do ex-todo poderoso de Hollywood Harvey Weinstein, considerado emblemático para o movimento #MeToo, terminou nesta terça-feira (18) sem um veredicto.

O famoso produtor de cinema, de 67 anos, cujos filmes ganharam 80 Oscar, é acusado pela promotoria do estado de Nova York de ser um predador sexual, de agressão sexual e estupro.

Se for considerado culpado das cinco acusações contra ele, pode ser condenado à prisão perpétua.

O júri começou a deliberar antes das 11h30 locais (13h30 de Brasília) e concluiu cinco horas depois, sem chegar a um acordo. Voltará a se reunir às 09h30 de quarta-feira.

"A promotoria tem a tarefa de provar que o acusado é culpado de todas as acusações para além de toda a dúvida razoável. Se não conseguir, devem declarar o acusado não culpado", disse o juiz James Burke antes do início das deliberações.

Weinstein, 67 anos, foi denunciado por mais de 80 mulheres desde que o escândalo eclodiu em outubro de 2017, a gênese do movimento #MeToo. Entre as denunciantes estão a atriz mexicana Salma Hayek e a americana Gwyneth Paltrow.

Mas ele só é julgado no tribunal criminal de Manhattan por dois casos: a suposta agressão sexual contra a ex-assistente de produção Mimi Haleyi, que o acusa de ter feito sexo oral contra sua vontade em 2006, e o suposto estupro da ex-atriz Jessica Mann em março de 2013. A maioria dos outros crimes prescreveu.

O produtor, entre outros, de "Pulp Fiction" e "Shakespeare apaixonado" é o primeiro homem acusado de agressão sexual no âmbito do #MeToo a ser julgado criminalmente.

O caso, no entanto, é complicado e a promotoria enfrentou dificuldades para provar ao júri que Weinstein é culpado além de qualquer dúvida razoável.

A acusação diz que Weinstein aproveitou seu imenso poder na indústria cinematográfica para agredir sexualmente aspirantes a atrizes e funcionárias do setor por anos.

Mas a defesa mostrou ao júri dezenas de e-mails mostrando que as duas denunciantes mantiveram um relacionamento afetuoso com o produtor por anos após os supostos ataques, incluindo relações sexuais consensuais.

A promotora Joan Illuzzi-Orbon garantiu na sexta-feira que as acusadoras "não têm motivos para mentir".

"Por que passar por todo esse estresse de testemunhar se não estão dizendo a verdade?", questionou. "Sacrificaram sua dignidade, sua intimidade, sua calma na esperança de fazer sua voz ser ouvida".

A advogada que lidera a defesa, Donna Rotunno, disse que as acusadoras manipularam Weinstein para avançar em suas carreiras e instou o júri a ter "a coragem" de tomar uma decisão que admitiu ser "impopular": absolver seu cliente.

A Promotoria criou para o júri uma espécie de "universo alternativo", onde "as mulheres não são responsáveis pelas festas que frequentam, nem pelos homens com quem flertam (...) ou pela ajuda que pedem para obter emprego", disse Rotunno em seu apelo final, responsabilizando as mulheres pelo que aconteceu.

Rotunno lembrou ao júri que, para condenar o acusado, deve ter certeza de sua culpa "além de qualquer dúvida razoável" e lembrou que a promotoria não apresentou provas forenses ou chamou a polícia como testemunha.

No final, tudo dependerá se sete homens e cinco mulheres do júri acreditam ou não nas acusadoras e nas quatro mulheres que testemunharam como foram agredidas por Weinstein.

Os jurados devem chegar a um veredicto por unanimidade para cada uma das acusações.

Se fracassarem, o juiz James Burke poderá ser forçado a declarar nulo o julgamento. Também é possível que exista um veredicto misto: ser considerado culpado de algumas acusações e absolvido de outras.

Weinstein enfrenta uma investigação paralela por crimes sexuais em Los Angeles e também é alvo de vários processos civis.