Terreiro de Umbanda é depredado em Caxias; campanha para reconstrução é criada

Louise Queiroga
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O Terreiro Tenda Espírita Maria Conga e Caboclo Boiadeiro, da religião Umbanda, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi destruído na noite desta quarta-feira, dia 27, informou a filha biológica da mãe de santo daquele espaço. Janaína Santos da Silva contou que um homem pulou o muro, invadiu o local e quebrou praticamente todas as imagens — apenas as do orixá Exu foram salvas, pois estavam numa sala trancada. Enquanto depredava o que via pela frente, Janaína relatou ter sido chamada, aos gritos, de "bruxa e feiticeira", termos também dirigidos a sua mãe, Maria Antônio dos Santos.

Janaína disse ainda ter acionado a polícia, que prendeu em flagrante o autor do ataque. Agora seu medo é que ele volte a depredar a casa de santo após ser solto. Por isso, uma das mudanças que pretende implementar é uma reforma no muro, para aumentá-lo, de forma a evitar novas invasões. Além disso, destacou que estão planejando uma campanha de reconstrução, para que as imagens sejam repostas e o piso, que também foi danificado, seja trocado. Para isso, dispobilizou o número (21) 98156-8807 para que interessados em contribuir possam entrar em contato.

De acordo com Janaína, o invasor é um homem conhecido na região como um "usuário de drogas" que costuma andar "todo sujo" na rua. A razão pela qual ele depredou o barracão é desconhecida, contudo, essa não foi a primeira vez que ele proferiu ofensas às responsáveis pelo terreiro, localizado na Rua Gomes Carneiro, lote 15 quadra 64, Vila Urusay, esquina com a Afonso Guimarães, em Saracuruna.

— A gente não sabe por que ele (autor do ataque) fez isso. A gente nunca fez nada com ele — disse Janaína. — Ele tem problemas de santo também, diz que ele não quer, não aceita, que entrou para a igreja, que Deus falou para ele matar os pais de santo. Ele já fez outros ataques; quebrou coisas da tia dele.

No terreiro de sua mãe, Janaína contou que o homem destruiu a maioria das imagens e pinturas, além do piso.

— Estou organizando (uma campanha). Interessados podem me enviar mensagem — afirmou. — Vamos ter que pintar, aumentar o muro. Como ele pulou, outro pode fazer, ou ele próprio, se for solto.

Janaína comentou que o homem a ameaçou de morte enquanto foi levado preso, por isso seu temor não é apenas pelos bens materiais dentro da casa de santo.

— Ele dizia que tinha que tirar os capetas de lá de dentro. Jogou o cachorro da minha mãe pelo muro. E ficou gritando, chamando a gente de bruxa, eu e minha mãe de feiticeira. Foi uma situação lamentável.

Para Janaína, o homem devia estar "desorientado".

— Não é normal uma pessoa fazer isso — completou. — Minha mãe está muito abalada. Foram 20 anos só nesse barracão. Desde os 19 anos que ela é espírita. Coisas de muito tempo que ela guardava foram queimadas. Ele até tentou arrombar a porta da casa de Exu, mas não conseguiu entrar. O resto, a casa de Preto Velho (entidade da Umbanda), as guias dela, perdeu tudo. Não teve como aproveitar nada de lá de dentro. Só não conseguiu tacar fogo no carro porque os bombeiros chegaram. Se não, o estrago ia ser muito pior.