Terremoto de magnitude 6,5 atinge o Acre, sem causar destruição

***ARQUIVO*** TARAUACÁ, AC, BRASIL, 29-10-2017 - Vista área de área indígena no Acre. (Foto: Avener Prado/Folhapress)
***ARQUIVO*** TARAUACÁ, AC, BRASIL, 29-10-2017 - Vista área de área indígena no Acre. (Foto: Avener Prado/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grande e profundo terremoto foi registrado no Brasil na noite de terça-feira (7). O tremor de magnitude 6,5 ocorreu a mais de 620 km de profundidade, de acordo com os dados do USGS (o serviço geológico do governo dos EUA).

Ele teve seu epicentro no Acre, a 108 km a sudoeste da cidade de Tarauacá, em um ponto próximo da fronteira com o Peru. Até o momento, não há relatos de vítimas ou de destruição causada pelo sismo.

"No Acre, o tremor está tão profundo que, apesar de a magnitude ser altíssima, não vai causar problemas na superfície. Destruição é praticamente impossível", afirma Bruno Collaço, sismólogo da USP (Universidade de São Paulo).

O Brasil, desde 1950, já registrou ao menos 10 terremotos com magnitude maior do que o desta terça, segundo informações do próprio USGS, referência no assunto. O maior deles, de magnitude 7,6, aconteceu em 1963, com epicentro também no Acre.

O pesquisador da USP explica, inclusive, que o tremor desta terça deve ser classificado como um sismo andino --referente à Cordilheira dos Andes--, e não como um "brasileiro", apesar do epicentro ter sido registrado no Acre.

Isso porque o terremoto teve como causa o contato entre a placa tectônica de Nazca (que fica na costa oeste da América do Sul) e a placa sul-americana. Segundo Collaço, houve a chamada subducção, termo usado quando uma placa entrA embaixo de outra.

Já os chamados tremores brasileiros ocorrem quando a placa africana "empurra" a placa sul-americana. Um exemplo é o terremoto com magnitude 6,2 registrado na Serra do Tombador, Mato Grosso, em 1955, considerado até hoje como o maior "tremor brasileiro".

Enquanto os terremotos andinos acontecem a centenas de quilômetros de profundidade, os tremores brasileiros ocorrem mais próximos da superfície, a até 15 quilômetros. Por isso, seus efeitos podem ser muito maiores e mais sentidos pela população, mesmo com magnitude menor.

Segundo Collaço, há terremotos brasileiros de magnitude 3 praticamente toda semana. Os de magnitude 4 ocorrem de duas a três vezes por ano e os de 5, a cada cinco anos. Já os que chegam à magnitude 6, como o da Serra do Tombador, ocorrem, aproximadamente, a cada 50 anos.

O pesquisador diz ainda que a ferramenta "Sentiu aí?", do Centro de Sismologia da USP, ajuda a registrar os terremotos no Brasil. Com ela, qualquer pessoa pode informar caso tenta sentido algum tremor de terra no país.

Reportar esses eventos acaba ajudando na formação do catálogo de sismos dos pesquisadores brasileiros.

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