A todo vapor, judeus preparam pão ázimo para Páscoa em Israel

Ana Cárdenes.

Kfar Chabad (Israel), 7 abr (EFE).- O forno da fábrica do movimento hassídico Chabad-Lubavitch em Israel trabalha freneticamente para preparar em 18 minutos e manualmente o matzá, o pão ázimo - assado sem fermento - que os judeus comem durante os sete dias da Páscoa (Pessach), que começa na próxima segunda-feira.

"A bíblia e Deus nos dizem que na Pessach não devíamos comer nem guardar qualquer pão levedado. No Chabad somos muito rigorosos e fazemos o matzá caseiro. Misturamos água com farinha e em 18 minutos elas fermentam, então temos que fazer tudo muito rápido para garantir que faremos o melhor matzá", explicou à Agência Efe o rabino Ze'ev Slavin, um dos responsáveis do Chabad-Lubavitch, perto de Tel Aviv.

A fábrica destes pães, um pouco insossos, arredondados e vendidos em vários lugares nesta época, é a maior de Israel e funciona a todo o vapor nestes dias.

Na Pessach, os judeus lembram a libertação dos hebreus da escravidão e a saída do Egito, que teve que ser muito rápida, o que impediu que os pães fossem fermentados e fez com eles comessem pão ázimo durante sete dias.

"A principal mensagem do matzá é a humildade. Precisamos lembrar sempre que tudo o que temos foi dado por Deus", afirma Slavin.

O limite dos 18 minutos desde que a água e a farinha se misturam exige certa agilidade, com uma cadeia de produção coordenada, onde cada vez que bate o tempo os trabalhadores devem parar, lavar as mãos, descartar o avental, colocar outro e lavar cuidadosamente os instrumentos.

Antes de voltar, um funcionário verifica cuidadosamente os dedos para confirmar que não existe qualquer resquício de farinha com água nas mãos, porque se isso acontecer a comida deixa de ser kosher (aquela que cumpre as normas de alimentação que a Bíblia determina).

Mas, nos lares ultraortodoxos, a proibição de comer pão levedado pode ser levada ao extremo. Na casa dessas famílias, para tirar todas as migalhas de todos os cantinhos, uma limpeza exaustiva é feita e a proibição de comer pão se estende a qualquer outro alimento fermentado, como cerveja, massas e arroz.

Algumas famílias passam a utilizar panelas, talheres e pratos especiais destinados apenas a estes sete dias. Outras aproveitam a ocasião para trocar os móveis da casa e comprar novos, para não precisar limpá-los profundamente.

"A casa tem que estar completamente limpa. Todas as gavetas, os compartimentos. Não pode ter pão, nada com fermento", resumiu o rabino.

O diretor do forno do matzá em Chabad-Lubavitch, o rabino Menachem Gluckowsky, afirmou que diariamente são usados 450 quilos de farinha para fazer centenas de pães ázimos, vendidos em caixas com oito unidades, um processo que normalmente conta com 50 pessoas, mas "na Pessach são muitas mais".

"Geralmente, o processo para cada pão leva 11 ou 12 minutos. Tudo o que passa de 18 minutos é descartado", destacou.

A farinha é trabalhada em um quarto separado, onde não pode entrar água. Por uma janelinha, ela é passada a outra sala onde tudo tem que ser feito depressa: uma equipe a mistura com a água, outra amassa com a maior rapidez, outra estica com o rolo e outra faz os furinhos para evitar que fermente.

No fim, um longo cabo de madeira leva a massa ao forno de alta temperatura, onde o pão fica de 10 a 15 segundos.

Todos os utensílios - os rolos, as facas, o cabo de madeira e as mesas - são constantemente lavados e renovados, para impedir que qualquer nota de farinha fermentada acabe no pão, que recebe o certificado kosher e de lá é exportado para todo o mundo. EFE