Terreno no centro de SP irá abrigar unidades modulares para moradores de rua

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Terreno na região central de São Paulo irá receber unidades modulares para abrigar moradores de rua a partir de dezembro. O endereço pertence à administração municipal e irá começar a receber as estruturas neste sábado (5).

Se trata da segunda unidade da Vila Reencontro, projeto que recebeu os primeiros módulos a serem transformados em habitação transitória no terreno onde funcionava o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), no Bom Retiro.

O novo endereço do projeto, na rua Ladeira da Memória, terá 41 módulos para abrigar até 160 pessoas, além de espaço para cozinha comunitária, refeitório, brinquedoteca e horta social.

De acordo com o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads), Carlos Bezerra, uma entidade italiana especializada em organizar acampamentos de refugiados na Europa será contratada para gerir o local. O custo total do projeto será de R$ 24,5 milhões.

A Vila Reencontro, que deve disponibilizar 350 módulos para abrigar 1.400 pessoas em quatro endereços na cidade, foi a resposta da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) diante do aumento da população de rua.

Segundo Censo divulgado em janeiro, a cidade tem 31% mais moradores de rua do que em 2019, quando havia 24.344 pessoas nas ruas. Hoje, 31.884 estão nessa situação.

"A ideia é começar a disponibilizar as unidades modulares no centro de São Paulo onde há maior concentração de moradores de rua", diz o secretário Bezerra. Segundo a pasta, 12.851 moradores de rua foram contabilizadas na região da Sé.

A prioridade será atender famílias que estão há menos de dois anos nas ruas. De acordo com o Censo da população de rua, há 8.927 pessoas vivendo nas ruas na companhia de parentes. A Vila Reencontro, portanto, irá disponibilizar uma vaga para cada seis pessoas nessa situação.

A gestão municipal vai utilizar as informações do CadÚnico (base de dados do governo federal que armazena informações sobre renda familiar) e dados cadastrais próprios, a fim de estabelecer critérios para o acolhimento.

Segundo o secretário, as vagas serão ocupadas tanto por pessoas abrigadas, atualmente, em hotéis sociais ou centros de acolhimento e também e também por quem ocupa as calçadas.

A administração municipal diz que o projeto foi inspirado no modelo conhecido como "housing first" (moradia primeiro), criado em países da Europa e nos Estados Unidos, que tem como princípio garantir que a população em situação de rua tenha acesso imediato à moradia.

A Folha de S.Paulo mostrou em agosto que o terreno onde funcionava o Detran, escolhido para receber as primeiras unidades modulares da Vila Reencontro, fica a 200 metros de uma estação de tratamento de lixo. Segundo Bezerra, a gestão municipal deve finalizar até o fim do mês o relatório sobre as condições ambientais do terreno que irá receber os moradores de rua.

Os outros dois endereços que vão receber as demais unidades modulares ainda estão sendo analisadas, segundo Bezerra. "Queremos fazer pequenas vilas espalhadas pela cidade. A principal característica do projeto é humanizar a população de rua", diz Bezerra.

Cada família poderá ocupar as unidades modulares por até 18 meses. "A ideia é que as pessoas conquistem autonomia", diz o secretário. Há a possibilidade de as famílias serem encaminhadas a outros equipamentos municipais passado esse período. O projeto também prevê qualificação profissional e auxílio na busca por emprego.