A história do terror português em destaque no MOTELX

1911, o ano do primeiro filme de terror português, a história de um serial killer que aterrorizou Lisboa, com diversos crimes no Aqueduto das Águas Livres, no século XIX.

Dos tempos do cinema mudo, "Os crimes de Diogo Alves" foi restaurado pela Cinemateca Portuguesa e vai estar em destaque na edição deste ano do MOTELX, com uma apresentação muito especial.

Vamos exibir "Os crimes de Diogo Alves", o primeiro filme português, com um cine-concerto e uma partitura de Bernardo Sassetti

Para João Monteiro, um dos diretores artísticos do festival, "não chega simplesmente exibi-lo, convém ter ou uma banda sonora ou recriar uma partitura e pedir a uma orquestra ou a uma banda que toque". "É uma coisa logisticamente mais complicada, mas este ano conseguimos", sublinha.

Já estreado no festival de animação de Annecy, "Os Demónios do Meu Avô", de Nuno Beato, é mais um documento para a história do cinema português, este ano em retrospetiva no MOTELX.

João Monteiro admite que "desde o Estado Novo até ao 25 de abril é mais difícil encontrar (obras cinematográficas portuguesas), mas existem" e lembra "Três Dias Sem Deus", um filme fantástico que se considerava perdido porque se supunha ter ardido num fogo na Tobis.

O diretor artístico explica à Euronews, sobre "Três Dias Sem Deus", tratar-se do "primeiro filme realizado por uma mulher em Portugal, Bárbara Virgínia, que na altura tinha 22 anos, e que fez um filme muito inspirado no 'Rebecca' dE Hitchcock."

Dario Argento presente

É um dos cabeças de cartaz deste ano no MOTELX, "Óculos Escuros" ("Dark Glasses"), estreado em Cannes, vai ser apresentado ao vivo em Lisboa pelo próprio realizador, o italiano Dario Argento.

Pedro Sousa, diretor artístico do MOTELX justifica a escolha: "Com mais de 80 anos está em atividade, tem uma obra que vai impressionar muitos dos fãs e vai também fazer recordar toda a sua cinematografia porque é um dos grandes precursores do 'giallo', essa vaga do cinema de terror italiano."

Este ano, as portas do terror abrem-se em Lisboa com o surpreendente "Festa" ("Bodies, Bodies, Bodies"), dirigido pela neerlandesa Halina Reijn. Não será a única mulher em destaque.

Pedro Souto revela haver "uma representação de realizadoras, mulheres a realizar cinema de terror". "E este ano temos uma excelente seleção, começando claro com o filme de abertura, 'Bodies, Bodies, Bodies', realizado por uma mulher. Temos também um filme do Reino Unido chamado 'The Banquet' e um filme da Chéquia chamado 'Night Siren'".

A 16.ª edição do MOTELX vai decorrer até 12 de setembro. Em jogo vai estar o Melies d'Argent, prémio de acesso ao Melies d'Or para o melhor filme fantástico europeu.