Terrorismo em Brasília: Confira o conteúdo publicado em perfis suspensos por Moraes

Ministro do STF ordenou a retirada de páginas das redes sociais na noite do domingo (8)

Terrorismo em Brasília: Palácio do Planalto, em 9 de janeiro de 2023, destruído após a invasão realizada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes em Brasília (Foto: Reuters / Ueslei Marcelino)
Terrorismo em Brasília: Palácio do Planalto, em 9 de janeiro de 2023, destruído após a invasão realizada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes em Brasília (Foto: Reuters / Ueslei Marcelino)
  • Na noite do último domingo (8), o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a suspensão de páginas nas redes sociais ligadas a atos de terrorismo em Brasília

  • Na manhã desta segunda-feira (9), alguns dos perfis seguiam ativos

  • Dentre os conteúdos publicados, havia convocação para os atos, transmissão das invasões e teorias conspiratórias sobre supostos infiltrados de esquerda

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou na noite deste domingo (8) o bloqueio de 17 perfis nas redes sociais no prazo de duas horas. A decisão foi a mesma que afastou o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) do cargo por 90 dias.

Até as 11h desta segunda-feira (9), algumas das páginas ainda estavam ativas no Instagram, Facebook, TikTok e Twitter. Em meio ao conteúdo publicado, havia convocação para manifestações golpistas, vídeos transmitidos no momento da invasão às sedes dos Três Poderes e postagens com teorias de que os atos de terrorismo teriam sido praticados por infiltrados da esquerda.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vandalizando uma sala no Palácio do Planalto durante invasão às sedes dos Três Poderem em Brasília, em 8 de janeiro de 2023 (Foto: Reuters / Adriano Machado)
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vandalizando uma sala no Palácio do Planalto durante invasão às sedes dos Três Poderem em Brasília, em 8 de janeiro de 2023 (Foto: Reuters / Adriano Machado)

No Facebook, a página Palhoça Tá On publicou vídeos de manifestantes golpistas invadindo o plenário do Senado Federal e a sede do STF. Em uma postagem, o perfil se referiu aos atos como "manifestação em Brasília", em outra, questionou se os seguidores eram "a favor ou contra" a ação.

Captura de tela de vídeo de bolsonaristas invadindo o Senado Federal, em 8 de janeiro de 2022 (Foto: Reprodução / Facebook)
Captura de tela de vídeo de bolsonaristas invadindo o Senado Federal, em 8 de janeiro de 2022 (Foto: Reprodução / Facebook)

No Instagram, um perfil identificado com o nome "Fabrizio Cisneros Colombo", publicou uma série de vídeos da invasão às sedes dos Três Poderes. "Estamos só vindo pegar o que é nosso por direito, porque fomos roubados, queremos o código fonte, queremos novas eleições, queremos uma nova Constituição, nós não confiamos mais nos Três Poderes, o poder é nosso", disse ele em um dos registros. Ao fundo, é possível ouvir um homem gritando "é guerra".

Captura de tela de vídeo de um bolsonarista invadindo o STF, em 8 de janeiro de 2022 (Foto: Reprodução / Instagram)
Captura de tela de vídeo de um bolsonarista invadindo o STF, em 8 de janeiro de 2022 (Foto: Reprodução / Instagram)

Em outra gravação, Colombo sugeriu que fosse pichado "Supremo é o Povo" no prédio do STF. Momentos depois, ele mostrou a fachada da construção com a frase "perdeu, mané", dita pelo ministro Luís Roberto Barroso a um apoiador de Jair Bolsonaro (PL) em novembro de 2022.

Um perfil no Instagram identificado com o nome "Juliana Siqueira" publicou diversos vídeos da invasão, incluindo teses de que a destruição teria sido causada por "infiltrados da esquerda". Uma das postagens, chegou a acusar a Polícia do Distrito Federal de ter acobertado um suposto infiltrado que estava armado.

Captura de tela de vídeo publicado em uma página bolsonarista acusando a PM-DF de supostamente acobertar um
Captura de tela de vídeo publicado em uma página bolsonarista acusando a PM-DF de supostamente acobertar um "infiltrado armado" nos atos de terrorismo em Brasília, em 8 de janeiro de 2022 (Foto: Reprodução / Instagram)

No Twitter, os três perfis cuja suspensão foi ordenada seguiam no ar nesta manhã, são eles: @camileferrao, @bernardokuster2 e @AugustoNPistola. Na página de Camile Ferrão, diversas postagens também alimentaram teorias sobre infiltrados. Um dos conteúdos retuitados pela página sugeriu que o carro da Polícia Legislativa que foi empurrado no espelho d'água do Congresso teria sido, na verdade, jogado pela própria polícia. O vídeo compartilhado, no entanto, não mostra qualquer ação dos policiais nesse sentido.

Captura de tela de uma publicação acusando a Polícia Legislativa de ter arremessado a sua viatura no espelho d'água do Congresso, em 8 de janeiro de 2023 (Foto: Reprodução / Twitter)
Captura de tela de uma publicação acusando a Polícia Legislativa de ter arremessado a sua viatura no espelho d'água do Congresso, em 8 de janeiro de 2023 (Foto: Reprodução / Twitter)

No TikTok, uma das páginas que seguia no ar na manhã desta segunda-feira (9), havia feito uma publicação em tom de ameaça, com a frase "prepare-se para o que está por vir".

Captura de tela de uma publicação de um bolsonarista com a frase
Captura de tela de uma publicação de um bolsonarista com a frase "prepare-se para o que está por vir", em referência à invasão realizada em 8 de janeiro de 2022 (Foto: Reprodução / TikTok)

Procurado por e-mail, o TikTok não retornou até a publicação desta reportagem. O Twitter deixou de ter uma assessoria de imprensa no Brasil.

Por meio de nota, a Meta informou que designou os atos do último domingo (9) como violadores de suas políticas, "o que significa que removeremos conteúdos que apoiam ou exaltam essas ações. Estamos acompanhando a situação ativamente e continuaremos removendo conteúdos que violam nossas políticas". A empresa, no entanto, não informou o motivo de as páginas que constam da decisão do STF terem ficado no ar após o prazo determinado pelo STF.