Terrorismo no DF: policial conta estratégias para conter golpistas

Spray de pimenta, granadas, rojões, bombas de gás lacrimogênio, tornaram o ambiente irrespirável

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro entram em confronto com as forças de segurança enquanto invadem o Congresso Nacional em Brasília (Foto: Joedson Alves/Anadolu Agency via Getty Images)
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro entram em confronto com as forças de segurança enquanto invadem o Congresso Nacional em Brasília (Foto: Joedson Alves/Anadolu Agency via Getty Images)
  • Terrorismo em Brasília: bolsonaristas radicais invadiram e vandalizaram as sedes dos Três Poderes em Brasília;

  • Atos golpistas têm sido organizados após Jair Bolsonaro sair derrotado na sua tentativa de reeleição;

  • Ao Jornal Nacional, policial que defendeu o Congresso dos ataques de extremistas afirmou que "defendeu a democracia".

Um dos policiais que defendeu o Senado da invasão de terroristas no dia 8 de janeiro afirmou que a função dos policiais legislativos era "defender a democracia".

A declaração foi feita ao Jornal Nacional, da TV Globo, após o programa Fantástico de domingo (15) divulgar imagens da invasão de bolsonaristas radicais que vandalizaram as sedes dos Três Poderes na capital federal.

A emissora também revelou imagens dos policiais defendendo o prédio mesmo nos momentos mais críticos dos ataques.

Após a invasão, todos os integrantes da Polícia do Senado, mesmo os que estavam de férias e de folga, foram chamados: 58 homens e mulheres tentaram conter uma multidão de cerca de 1.500 golpistas.

Eles se agruparam na entrada do Congresso e avançaram para dentro do Senado em direção à divisa com a Câmara, por onde os terroristas entravam.

Imagens de câmeras acopladas ao uniforme dos policiais legislativos foram exibidas. Em dos trechos da gravação é possível ouvir a voz do policial, que é chamado coordenador de linha.

Ele estava em casa quando tudo começou, foi correndo para o Senado, para tentar evitar um estrago maior.

Na ocasião, ele, que não teve identidade revelada por questões de segurança, disse que inicialmente perguntou à central onde os manifestantes não haviam ocupado para poder se posicionar com as equipes.

“O Palácio do Congresso estava todo tomado. Eu conversei com os colegas que estavam de plantão, a preocupação inicial era proteger a nossa base. Foi quando eu peguei meu rádio, entrei em contato com a nossa central e perguntei se havia alguma parte do Senado Federal que não havia sido tomada pelos manifestantes", relatou.

E continuou: "A central me informou que o salão azul estava livre de manifestantes, aí solicitei que quatro colegas me acompanhassem e chegamos até o salão azul pela chapelaria.”

Então, os policiais, juntos, avançam pelo Senado em direção à divisa com a Câmara, por onde os golpistas entraram no prédio do Congresso.

Segundo o policial, inicialmente eles temeram não conseguir realizar a contenção, mas estavam fortalecidos devido a vários treinamentos.

“Tínhamos, aproximadamente, 15 policiais. No momento, a gente pode até ter duvidado que a gente conseguiria fazer essa contenção, contudo os policias estavam de espírito preparado para esse dia. Eles têm muito treinamento, são policiais condicionados a esse tipo de situação, sob estresse, sob pressão, e a gente conseguiu dar um embate inicial para impedir, inicialmente, a invasão do salão azul”, disse.

Por volta das 15h30, a violência dos terroristas aumentou e eles usaram jatos d'água das mangueiras anti-incêndio e, com os estilingues, atiraram bolas de aço. Os policiais reagiram e segundo o coordenador, com cautela e disciplina para não haver infiltração nem policiais machucados.

“O coordenador de linha tem a função de, além de motivar a sua tropa, ele tem a preocupação com a segurança e com a disciplina da linha, para não haver infiltração, para não haver policial machucado, incidentes que podem acontecer em uma situação de estresse”, explicou.

Foi quase uma hora de confronto. Spray de pimenta, granadas, rojões, bombas de gás lacrimogênio, tornam o ambiente irrespirável.

"A gente deu embate aos manifestantes, até que, em certo momento, uma granada foi arremessada na linha pelos manifestantes, o que tornou o ambiente insustentável para se respirar, para progredir, e a gente teve que retomar a estratégia, ceder terreno e fazer a contenção em um ponto mais atrás da linha", lembrou o policial.

Um recuo necessário, estratégico. Foi na entrada do chamado Túnel do Tempo que, às 17h, a Polícia do Senado conseguiu parar os golpistas.

O diretor da Polícia Legislativa do Senado, Alessandro Morales, acompanhou todo o trabalho: "Eu vi policiais bravos, guerreiros, em defesa do Senado Federal e da democracia brasileira".

"Os policiais estavam aqui cumprindo o seu dever, seu dever funcional, sua missão constitucional. A função é defender o Senado, é defender a democracia, é defender a honra dos policiais que estão aqui. Independente de ideologia, crença, credo, a gente tem que cumprir o nosso dever e atuar dentro da legalidade sempre", defendeu o coordenador de linha.