Terrorismo no DF: vândalo que destruiu relógio fica em silêncio em depoimento

Antônio Cláudio Alves Ferreira foi preso na tarde de segunda-feira em Uberlândia (MG) e levado até a delegacia da Polícia Federal.

Terrorismo no DF: Frame de vídeo de câmera de segurança mostrando vândalo em ação no Palácio do Planalto (Foto: Reprodução)
Terrorismo no DF: Frame de vídeo de câmera de segurança mostrando vândalo em ação no Palácio do Planalto (Foto: Reprodução)

O vândalo que destruiu o relógio de Dom João VI no Palácio do Planalto, durante o terrorismo no Distrito Federal no dia 8 de janeiro, ficou em silêncio durante o depoimento à Polícia Federal na segunda-feira (23).

Antônio Cláudio Alves Ferreira foi preso na tarde de segunda-feira em Uberlândia (MG) e levado até a delegacia da Polícia Federal. O homem já deu entrada no sistema prisional outras duas vezes.

Ferreira foi flagrado por imagens do circuito interno do Palácio do Planalto, no dia dos ataques. Ele vestia uma camiseta preta estampada com o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e quebrou e jogou ao chão o relógio Balthazar Martinot.

O relógio, feito pelo relojoeiro francês Balthazar Martinot, é considerado raro. Ele foi trazido ao Brasil em 1808, por Dom João VI. Existem apenas dois relógios de Martinot, incluindo o que estava no Planalto. O outro está exposto no Palácio de Versalhes, na França.

A gravação foi exibida no domingo dia 16 pelo Fantástico. Após destruir o relógio, o vândalo destruiu a câmera do circuito interno na tentativa de encobrir o crime.

Na declaração de depoimento, consta que Ferreira "decidiu fazer uso do direito de permanecer em silêncio".

Cláudio é de Catalão (GO) e estava foragido desde o dia dos ataques. Uma câmera de segurança flagrou o carro do suspeito rodando pela cidade goiana 10 dias após os atos terroristas. O Ministério da Justiça também confirmou a identificação de Antônio Cláudio e informou que ele era considerado foragido após os atos terroristas.

Envolvido nos ataques a Praça dos Três Poderes no dia 8 deste mês, Antônio Cláudio é investigado pelos crimes de:

  • abolição violenta do Estado Democrático de Direito

  • golpe de Estado

  • dano qualificado

  • associação criminosa

  • incitação ao crime

  • destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

Outros crimes

Antônio Cláudio Alves Ferreira teve três processos criminais na Justiça de Catalão e já foi preso duas vezes. Todos os processos estão arquivados atualmente porque ele cumpriu as sentenças.

Dois deles foram em 2014, ambos por ameaça. Os outros foram nos anos seguintes, 2015 o processo envolve a propriedade de um automóvel e 2017, tráfico drogas.

De acordo com as sentenças, os processos por ameaça foram arquivados porque Antônio Cláudio fez acordo com uma das vítimas, e no outro processo, a vítima não compareceu à audiência.