'Terroristas do PKK' são responsáveis pela execução de reféns turcos, diz Blinken

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O secretário de Estado americano, Antony Blinken

A polícia turca prendeu, nesta segunda-feira (15), 718 pessoas em 40 cidades pelos seus supostos vínculos com a militância curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), ao qual Ancara acusa de ter executado 13 turcos no norte do Iraque.

O Ministério do Interior não especificou onde as prisões aconteceram, mas afirmou que entre os detidos estão responsáveis locais do Partido Democrático do Povo (HDP), o segundo maior partido da oposição do país.

"Um grande número de armas, documentos e material digital pertencentes à organização foram confiscados nessas buscas", acrescentou o ministério do Interior, destacando que a operação continua em andamento.

A Turquia acusou no domingo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) de ter executado 13 cidadãos turcos, em sua maioria membros das forças de segurança, que mantinha como reféns no norte do Iraque há vários anos.

No domingo, o HDP expressou sua "profunda tristeza" após a morte dos cidadãos turcos no Iraque e pediu ao PKK para libertar os prisioneiros.

- "Terroristas do PKK" responsáveis -

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken, disse ao seu par turco nesta segunda-feira que "terroristas do PKK" são os responsáveis pelas mortes de reféns turcos no nordeste do Iraque.

A Turquia acusou os Estados Unidos de apoiar "terroristas" depois que Washington se recusou a apoiar imediatamente a versão de Ancara, que havia culpado os militantes curdos pelo assassinato dos 13 turcos.

"O secretário deu condolências pelas mortes dos reféns turcos no nordeste do Iraque e afirmou nossa visão de que terroristas do PKK são responsáveis", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, em nota.

No domingo, um comunicado do Departamento de Estado dos EUA provocou a indignação da Turquia ao afirmar que Washington lamentava a morte dos cidadãos turcos, mas esperava uma confirmação da versão de Ancara sobre o ocorrido.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, chamou a resposta americana de "farsa" e o ministério turco das Relações Exteriores pediu ao embaixador do país norte-americano, David Satterfield, para comunicar a grande indignação de Ancara.

Segundo Price, Blinken conversou por telefone com seu homólogo turco, Mevlut Cavusoglu, nesta segunda-feira para "enfatizar a importância duradoura da relação bilateral" entre Washington e Ancara e lembrar seu "interesse compartilhado em combater o terrorismo".

Blinken pediu também que a Turquia "não conserve o sistema de mísseis terra-ar russos S-400", cuja compra por Ancara esfriou as relações com os EUA.

O governo de Joe Biden, assim como o de seu antecessor Donald Trump, considera que o uso dos S-400 é incompatível com os sistemas de defesa da OTAN, da qual a Turquia é membro.

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