Teste de equilíbrio feito em casa mostra se uma pessoa corre maior risco de morte; entenda

Desequilíbrio mata. Cientistas brasileiros mostraram que conseguir se equilibrar numa perna só é um sinal de aptidão física e indicador do estado da saúde. Pessoas que não se equilibram numa perna só por dez segundos correm um risco de morte em dez anos cerca de quatro vezes maior do que aquelas que conseguem, afirma um estudo liderado por pesquisadores brasileiros e publicado hoje no British Journal of Sports Medicine (BJSM), um dos periódicos científicos de maior impacto no mundo.

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O estudo traz duas novidades. A primeira é o teste indicador de risco extremamente simples, que qualquer um pode fazer em casa e serve de alerta de que a saúde não vai bem. Basta se manter numa perna, com o pé levemente erguido por trás da outra, por dez segundos, sem qualquer apoio e com os braços junto ao corpo. A segunda é mostrar que equilíbrio é muito mais importante para a aptidão física do que se imaginava e deve ser considerado como preditor de risco pelos médicos.

Veja como fazer o teste

De acordo com o estudo, não conseguir se manter por dez segundos equilibrado na posição abaixo é um indicador de risco de morte maior do que ser cardíaco, obeso, hipertenso ou ter níveis elevados de gordura no sangue, sem distinção de idade e gênero.

O desequilíbrio é um sinal de visível de que o corpo não está bem, afirma o principal autor do estudo, Claudio Gil Araújo, diretor de pesquisa e educação da Clinimex (Clínica de Medicina do Exercício), no Rio de Janeiro.

— O teste gasta poucos segundos e qualquer pessoa entende de imediato. A perda de equilíbrio por si só é um indicador de risco de morte muito forte, mesmo se ajustadas muitas variáveis, como obesidade, doença cardíaca, doença metabólica — frisa Araújo.

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Se equilibrar numa perna, na verdade, é uma situação presente o tempo todo em nossas vidas. O teste só evidencia a perda de capacidade de executar ações corriqueiras, como descer escadas ou sair de um carro, por exemplo.

Segundo o estudo, até os 50 anos a maioria das pessoas consegue se equilibrar com facilidade numa perna por dez segundos. Porém, a partir dessa idade, o equilíbrio, um dos componentes da aptidão física, começa a se deteriorar. Araújo destaca que o ponto de corte chega aos 70 anos. A partir dessa idade, mais de metade das pessoas não consegue se equilibrar direito.

Araújo é internacionalmente conhecido por ter desenvolvido o mais aplicado teste de avaliação da aptidão física, o de sentar e levantar. Consiste basicamente em se sentar e levantar do chão com o menor número de apoios possível. Ele avalia a capacidade dos quatro componentes não aeróbicos da aptidão física: força/potência, equilíbrio, composição corporal (relação de massa muscular e gordura) e flexibilidade.

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O novo estudo é uma colaboração da Clinimex com cientistas das universidades de Stanford (EUA), Bristol (Reino Unidos), Sydney (Austrália) e do Leste da Finlândia. Os cientistas analisaram a associação entre mortalidade e equilíbrio por 12 anos. Foram avaliados dados de 1.702 pacientes da Clinimex, acompanhados de 2008 a 2020.

Mesmo após considerarem variáveis, com sexo, idade, comorbidades (doenças cardíacas e metabólicas, hipertensão, obesidade, por exemplo), os cientistas verificaram que não se manter equilibrado por dez segundos numa perna aumentava o risco de morrer em 84%.

Os resultados são observacionais e o estudo não aponta o motivo da perda de equilíbrio aumentar o risco de morte. Ainda assim, os resultados foram considerados sólidos para serem publicados com destaque pela BJMS. Além do óbvio risco de queda, a perda de equilíbrio já foi associada por outras pesquisas a risco aumentado de derrame e demência.

— Mostramos que o equilíbrio em si influencia o risco de morrer. Mesmo após 40 anos de prática médica, fiquei surpreso com o resultado. Descobrir que indivíduos entre 51 e 75 anos correm um risco maior de morte por não se equilibrar por segundos do que por ter doença coronariana ou colesterol alto foi espantoso — frisa Araújo.

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O desequilíbrio é perigoso, mas pode ser superado. Sua perda pode ser revertida sem sacrifício. Araújo diz que apenas dois minutos de exercícios simples em casa por dia ajudam a manter o equilíbrio. Fazer coisas como se equilibrar numa perna em séries de dez segundos, escovar os dentes com uma perna levantada, se equilibrar de olhos fechados ou tentar fazer a posição de avião são exemplos.

— A importância de conseguir levar a vida com o pé nas costas vai além da força de expressão — enfatiza o pesquisador.

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