Júri assiste a imagens fortes da detenção de George Floyd gravadas pela polícia

Agnes BUN com Charlotte PLANTIVE em Washington
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Imagens chocantes das câmeras corporais dos policiais acusados de matar George Floyd, um homem negro de 46 anos cuja morte gerou protestos contra o racismo em todo o mundo, foram mostradas ao júri nesta quarta-feira (31).

Os vídeos gravados pelas câmeras dos quatro policiais envolvidos na prisão de Floyd em 25 de maio de 2020 foram divulgados pelos promotores no terceiro dia do julgamento do ex-policial de Minneapolis Derek Chauvin.

As imagens mostram o momento em que Floyd é detido por supostamente usar uma nota falsa de 20 dólares em uma loja. As súplicas da vítima, que diversas vezes afirma não conseguir respirar enquanto é imobilizado com o rosto colocado no asfalto, também foram ouvidas.

Os outros três policiais envolvidos, Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao, serão julgados em agosto por "cumplicidade em homicídio".

O vídeo da câmera corporal de Lane mostra Floyd dizendo "por favor, não atirem", enquanto é retirado de seu carro do lado de fora de uma loja onde comprou um pacote de cigarros.

Em seguida, Floyd é algemado e levado para uma viatura polícial quando começa a ficar mais angustiado e inquieto com os agentes, que tentam colocá-lo no banco de trás do veículo.

"Em sou claustrofóbico, cara", diz Floyd repetidas vezes. "Não faz isso comigo".

Depois que Floyd cai na rua, ele é imobilizado por três agentes e Chauvin se ajoelha em seu pescoço.

A câmera corporal de Chauvin sai do lugar na confusão e cai sob o veículo, mas as câmeras dos outros policiais continuam funcionando.

Floyd diz repetidamente que não consegue respirar. "Mãe, eu te amo", diz ele. "Meu estômago dói, meu pescoço dói."

A certa altura, um dos policiais diz: "Acho que ele desmaiou" e pergunta se eles deveriam "colocá-lo de lado".

As imagens da câmera corporal continuam até que uma ambulância chega e leva Floyd inconsciente para o hospital, onde ele foi declarado morto.

- "Incredulidade e culpa" -

Além do vídeo das câmeras corporais, o julgamento contou nesta quarta-feira com o testemunho emocionado de um jovem caixa da loja que disse se arrepender de ter aceitado a nota falsificada de US$ 20 de Floyd.

"Se eu simplesmente não tivesse aceitado a nota, isso poderia ter sido evitado", lamentou Christopher Martin.

"Pensei que George realmente não sabia que era uma nota falsificada", contou ele. "Achei que estava fazendo um favor".

O caixa, porém, explicou que contou ao gerente da loja o que havia ocorrido e seu chefe chamou a polícia.

Martin descreveu que Floyd parecia "drogado" quando entrou na loja, mas que foi "muito amigável, acessível e falante".

"Ele parecia estar tendo um Memorial Day (feriado nos EUA) normal, apenas vivendo sua vida", relatou. "Mas parecia sim drogado".

Eric Nelson, o advogado de defesa de Chauvin, afirmou nas argumentações iniciais que a morte de Floyd foi causada por drogas e suas condições médicas prévias, e não por asfixia.

O caixa disse que saiu da loja quando ouviu "gritos e berros" do lado de fora. "Eu vi (Chauvin) com o joelho no pescoço de George no chão", contou. "George estava imóvel, mole."

Nas filmagens de uma câmera de segurança apresentadas ao júri, o jovem funcionário é visto, chocado, com as mãos na cabeça. Ao promotor, que perguntou o que ele sentia naquele momento, ele respondeu com a voz embargada: "incredulidade e culpa".

Também depôs nesta quarta-feira Charles McMillian, de 61 anos, que disse que passava pelo local naquele dia e parou para ver o que estava acontecendo.

Ao ser o primeiro espectador da cena, pode ser ouvido no vídeo dizendo a Floyd, já algemado, "você não pode vencer" e pedindo que entrasse no banco de trás do carro da polícia.

McMillian começou a soluçar enquanto o vídeo era exibido, tirando os óculos e enxugando os olhos com lenços de papel até que o juiz Peter Cahill pediu um breve recesso.

"Eu me senti impotente", disse McMillian, que também enfrentou Chauvin depois do incidente.

- Júri -

A sessão matinal do julgamento foi rapidamente interrompida quando um membro do júri, composto por nove mulheres e cinco homens, pareceu indisposto.

Os promotores tentam demonstrar ao júri que Chauvin não tinha justificativa para usar a perigosa manobra sobre o pescoço de Floyd.

O ex-agente, que passou 19 anos a serviço da polícia de Minneapolis, foi libertado sob fiança e se apresenta livre ao julgamento ao qual se declara não culpado. Ele pode pegar até 40 anos de prisão caso seja condenado pela acusação mais grave, o de homicídio em segundo grau.

O júri deve dar seu veredicto até o final de abril ou início de maio.

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