Testemunha-chave do caso Marielle, Orlando Curicica pede para voltar ao Rio

Aguirre Talento

BRASÍLIA - Testemunha-chave das investigações sobre o assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o miliciano Orlando Curicica pediu à Justiça para retornar ao sistema penitenciário do Rio de Janeiro. Mantido em um presídio federal em Mossoró (RN) desde que surgiram suspeitas do seu envolvimento no crime, Orlando apresentou o pedido junto à Vara de Execuções Penais em Natal, sob o argumento de que deseja estar mais perto de sua família. A defesa do miliciano argumentou que o presídio de Bangu 1, no Rio, tem condições de garantir a sua segurança e integridade física.

Ouvido a respeito, o Ministério Público Federal se manifestou contrário à transferência. A Procuradoria argumenta que Orlando tem melhores condições de segurança em Mossoró e que ele foi arrolado como testemunha pela Procuradoria-Geral da República na denúncia apresentada contra o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Domingos Brazão acusando-o de obstruir as investigações do caso Marielle.

Foi a partir dos depoimentos de Orlando que surgiram suspeitas de uma trama para obstruir as investigações. Inicialmente investigado como autor intelectual do crime, Orlando acusou o grupo chamado de Escritório do Crime de estar envolvido no assassinato e foi quem citou pela primeira vez Domingos Brazão como suspeito de ser o mandante.

Os depoimentos de Orlando mudaram o foco das investigações e também serviram para fundamentar o pedido de federalização do caso — a PGR argumentou que o desvio nas investigações demonstrou que a Polícia Civil do Rio e o Ministério Público estadual não teriam condições de conduzir a apuração.

Ainda não há data para análise do pedido de federalização perante o Superior Tribunal de Justiça e nem da abertura da ação penal contra Brazão, também no STJ