Testemunha de inquérito de pastor deu prova que faltava para prisão de Sheik dos Bitcoins

A prova que faltava para a prisão de Francisley Valdevino da Silva, o Sheik dos Bitcoins, surgiu de uma outra investigação conduzida pela Polícia Federal no Paraná. Condenado no mês passado a nove anos de prisão por crime contra o sistema financeiro nacional, o alvo deste inquérito, o empresário e pastor evangélico Maike Rodrigues, disse que montou a TotalX, empresa usada no golpe dos falsos investimentos em criptomoedas, com a expertise e os sistemas digitais fornecidos pelo Sheik.

Acidente na Argentina: Saiba quem era o brasileiro que morreu atingido por placa de gelo durante viagem

Fraude: Sites vendem diploma de curso superior para quem sequer pisou em sala de aula

Depois de duas tentativas frustradas, a PF conseguiu convencer a Justiça paranaense a ordenar a prisão de Francisley ao demonstrar que, além de continuar aplicando os próprios golpes, o Sheik terceirizava o seu esquema de pirâmide. Maike Rodrigues, preso em março com a mulher, Marina Reis, durante a operação Bad Bots, disse que as ferramentas digitais usadas no golpe foram adquiridas da Criptoptrade, empresa que atribuiu a Francisley e que teria sede em Londres.

As investigações constataram Maike e Marina lesaram cerca de 3 mil vítimas e se apropriaram de R$ 6 milhões ao simular operações financeiras com criptomoedas. O casal oferecia ganhos acima da média praticada no mercado com operações de trade e prometia aos clientes que as negociações seriam realizadas por meio de robôs automatizados. Na mesma sentença, Marina pegou seis meses de prisão.

Durante o período em que o investimento feito deveria ficar retido, os fraudadores simulavam lucros exorbitantes, que poderiam ser sacados ao fim do prazo contratado.

No entanto, quando os clientes passavam a exigir os saques dos lucros, os responsáveis pela promessa de ganhos não faziam o pagamento devido.

No depoimento à PF, Maike disse que os robôs eram de Francisley, que cobrou do casal licença para operá-los e teria ficado, segundo o acusado, com a maior parte do dinheiro dos clientes. Ele disse que nunca viu tanto dinheiro entrar, chegando a provocar um frio na barriga, mas que de uma hora para outra o sistema digital saiu do ar e que “tudo acabou ficando sei lá onde”.

Embora a PF tenha derrubado com provas a versão de que o dinheiro não ficou com o casal, pois Maike tinha pleno acesso às contas dos clientes, responsáveis pela investigação contra o Sheik consideraram a condenação uma prova do braço expansionista do grupo de Francisley, especialmente na comercialização de plataformas para os golpes. A PF comprovou que o sistema virtual usado nas fraudes de Maike foi criado e mantido pela organização criminosa de Francisley.