Testes de Covid-19: Entenda para que servem e quando fazer

Cleide Carvalho
·5 minuto de leitura

SÃO PAULO - Com a campanha de vacinação, uma nova geração de testes para detectar anticorpos contra o coronavírus começa a chegar no mercado. Eles são específicos para identificar anticorpos contra a proteína S (Spike), chamados de neutralizantes, principal alvo das vacinas. O GLOBO ouviu especialistas que explicam para que serve cada tipo de teste, dos já conhecidos às novidades.

Quem apresenta sintomas ou teve contato com alguém infectado deve fazer teste para Covid-19?

Sim. A infecção se manifesta por diversos sintomas. Os mais comuns são tosse, febre e diarreia, mas há outros menos frequentes, como distúrbios neurológicos, cefaléias intensas, desmaios, náuseas, conjuntivite, uveíte (inflamação da íris), arritmia e até mesmo quadros dermatológicos, como manchas e coceiras na pele. Quem teve contato com alguém que testou positivo pode estar assintomático e, além de fazer o teste, deve permanecer em isolamento para interromper a transmissão do vírus.

Quais testes identificam a infecção ativa pelo coronavírus?

Infecções ativas são detectadas pelos testes de RT-PCR e o de antígeno.

O RT-PCR é considerado o "padrão ouro" pela alta sensibilidade para detectar a presença do vírus. É feito apenas com pedido médico e em laboratórios por meio da coleta de swab nasal (cotonete) nas narinas e na garganta. A infecção é confirmada pela identificação de material genético do coronavírus na secreção. O resultado demora pelo menos 24 horas.

O de antígeno detecta determinadas proteínas do vírus e possui sensibilidade pouco menor do que o RT-PCR. Estão disponíveis em laboratórios e a vantagem é que o resultado sai muito mais rápido, em média em até 20 minutos. É importante, porém, saber o grau de confiabilidade. Quanto maior a sensibilidade do teste (mais perto de 100%), menor a possibilidade de o resultado dar falso negativo. Quando maior a especificidade, menor a chance de dar falso positivo. Quanto os testes de RT-PCR e de antígeno devem ser feitos?O RT-PCR e o teste de antígeno devem ser feitos em até sete dias depois do início dos sintomas ou suspeita da doença. Eles detectam a presença do vírus no organismo naquele momento. Os testes de antígeno não são cobertos por planos de saúde e estão disponíveis apenas nos serviços privados.

É possível fazer teste para saber se está com Covid-19 sem pedido médico?

Sim, existem testes disponíveis no mercado com alta confiabilidade. Um deles é o PCR-Lamp, feito por meio da coleta de saliva. O resultado sai em 24 horas. O teste pode ser feito em farmácias conveniadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Minas Gerais e Ceará. Na Grande São Paulo pode ser adquirido um kit para fazer em casa, mas a entrega demora cerca de 4 dias e é preciso agendar a retirada do material.

Qual teste detecta se o indivíduo já teve contato com o coronavírus e tem anticorpos?

Infecções passadas são detectadas com testes de anticorpos. São os testes de anticorpos contra Covid-19 laboratoriais e testes rápidos. Eles têm papel fundamental na avaliação epidemiológica para identificar a proporção de indivíduos que já foram previamente expostos ao Sars-CoV-2. Feitos por meio de coleta de sangue, detectam anticorpos produzidos na reação imunológica do organismo à infecção.

Como funcionam os testes sorológicos atuais?

Os testes sorológicos de anticorpos totais, que hoje estão disseminados no mercado, são mais eficientes para medir a resposta imune das pessoas que geraram anticorpos naturalmente, ao serem contaminadas pelo vírus. Eles detectam anticorpos para proteína N (nucleocapsídio), não para a S (Spike), principal alvo de boa parte vacinas. Os laboratórios têm identificado vários casos de pessoas vacinadas que, ao fazerem o teste sorológico, são surpreendidas pela ausência de anticorpos.

A indústria farmacêutica desenvolveu uma nova geração de testes sorológicos específicos para detectar anticorpos contra a proteína S (Spike), que está na superfície do Sars-Cov-2 e é a responsável pelo acoplamento às celulas humanas, iniciando a infecção. Como as vacinas são desenvolvidas para atacar a proteína S, a nova geração de testes deve avaliar com mais precisão a resposta imune dos indivíduos vacinados.

Depois de vacinado, é recomendável fazer teste para avaliar o nível de anticorpos?

Sim. Os testes sorológicos são importantes porque a comunidade científica ainda não sabe por quanto tempo o individuo que foi infectado ou vacinado seguirá protegido por anticorpos. Pesquisas têm mostrado, até agora, que anticorpos contra a Covid-19 ficam presentes no organismo por cerca de cinco meses em indivíduos infectados naturalmente pelo vírus. No caso dos imunizados, o acompanhamento deve começar a ser feito a partir de agora, com a campanha de vacinação. Com exames periódicos será possível saber o tempo em que as pessoas ficarão livres de nova infecção.

Os testes sorológicos podem rastrear casos de reinfecção?

Sim. Se uma pessoa que tem anticorpo for infectada, pode ser feito sequenciamento genético do vírus para identificar a variante do coronavírus. Só assim os cientistas poderão saber por quanto tempo as vacinas protegerão as pessoas e se elas são eficientes ou não contra as diversas variantes do Sars-Cov-2.

Outra possibilidade é serem usados para gerenciar a campanha de vacinação, já que o Brasil não tem vacina para toda a população- quem já teve Covid-19 poderia esperar mais tempo para ser vacinado ou até receberia apenas uma dose, por exemplo.

O que são Teste Rápido de Anticorpos ou Testes Imunológicos Rápidos?

São testes capazes de detectar os anticorpos circulantes contra a infecção a partir do 14º dia do início dos sintomas ou da exposição ao vírus (assintomáticos). A maioria dos testes disponíveis em farmácias hoje não possui a mesma precisão dos testes realizados no sangue venoso. Também neste caso é preciso pesquisar a especificidade e a sensibilidade do teste a ser usado.

Fontes: Celso Granato, infectologista e diretor Clínico do Grupo Fleury; Antonio Vergara, presidente da Roche Diagnóstica no Brasil; Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas da USP e membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia