Testes de drogas contra coronavírus terão resultado 'em semanas', diz OMS

Rafael Garcia

SÃO PAULO — A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou nesta quinta-feira que as primeiras drogas que estão sendo testadas contra o novo coronavírus, batizado com a sigla COVID-19, terão resultados na escala de algumas semanas.

— Algumas drogas que foram usadas no passado nos surtos de Mers e Sars estão sendo usadas agora, além de certas drogas anti-HIV — contou Michael Ryan, diretor programa de emergências em Saúde da OMS, em entrevista coletiva.

— Quanto mais rápido descobrirmos se essas drogas estão tendo impacto, mais ajudaremos os clínicos, e é possível que em algumas semanas já tenhamos boas informações — contou. — A essa altura, saber quais dessas drogas funcionam seria algo mágico para os clínicos que estão na linha de frente.

Entre as drogas que estão sendo usadas estão o lopinavir e o ritonavir, medicamentos para HIV vendidos sob o nome comercial Kaletra, além do remdesivir, um antiviral de amplo espectro. As drogas funcionam em outros vírus inibindo a chamada "reação de polimerase de RNA", o processo no qual o vírus multiplica seu material genético.

Estudos de modelagem virtual de química foram empregados para simular quais fármacos têm estrutura molecular mais propensa a conseguir atacar as proteínas de superfície que compõem o COVID-19. Entre as drogas apontadas por estudos chineses como promissoras estão o atazanavir, o nelfinavir e outras, e várias já estão sendo empregadas.

Ação rápida

Segundo Ryan, como as drogas em teste são medicamentos que já tiveram segurança testada e já estão no mercado, elas podem se tornar as ferramentas a chegarem mais rápido nas mãos dos médicos.

— Vacinas e novas drogas levariam mais tempo para entrar em fluxo de teste — afirmou Ryan. Segundo ele, a OMS está trabalhando para ajudar a China com os testes clínicos de drogas já existentes que estão em andamento.

— Ha uma necessidade imediata que esses testes clínicos sejam expandidos para outros lugares, como Japão e Singapura, e que protocolos similares sejam usados — disse.

Segundo ele, o desenvolvimento de vacina requer tempo e recursos de "centenas de milhares de dólares", e não se pode depositar esperança de que vá impactar o avanço do Covid-19 no curto e médio prazo.