Testes, reclusão e acompanhamento do governo japonês: atletas brasileiros detalham os protocolos da Olimpíada

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RIO — Logo na primeira entrevista do Comitê Olímpico do Brasil (COB) em Tóquio, o diretor de Esportes Jorge Bichara, de olho no desempenho esportivo, fez uma lembrança: “Não vamos esquecer o motivo pelo qual estamos aqui”.

A frase, dita no último dia 13, representa bem esses primeiros dias dos Jogos de Tóquio. Os maiores atletas do mundo chegaram ao Japão em meio à pandemia, e a preocupação com tempos, marcas e placares divide espaço, na programação e na mente, com testes diários de Covid e o temor de ficar fora da festa por causa de um exame positivo.

— Não sou negacionista em relação à gravidade da situação. Ela existe, merece importância, os protocolos foram estabelecidos e a gente conversa o tempo todo com a equipe sobre a consciência de cada um. Mas, a partir do momento que a competição foi confirmada, que o Brasil decidiu participar e estabeleceu protocolos de segurança, nós precisamos destinar a maior do tempo a pensar no desempenho esportivo. A preocupação com a Covid tem de caminhar em paralelo, se não era melhor nem ter vindo — explicou Bichara.

Ansiedade e precauções

O dirigente garantiu que a delegação brasileira está motivada e preparada para a competição, apesar do clima de preocupação a mais. Até agora, o Time Brasil não teve casos positivos em Tóquio:

— Os atletas estão em um momento de maior reclusão, estão se preservando mais e isso é um fator positivo.

A ansiedade pela estreia, felicidade por estar no maior evento esportivo do mundo e o medo de se contaminar e perder a competição são sentimentos relatados pela grande maioria dos atletas. A nadadora Viviane Jungblut admite alguma frustração mesmo na sua estreia no evento. Ela havia ficado fora da única seletiva nacional da natação por causa da Covid e teve de fazer tomada de tempo isolada para tentar a vaga nos 1.500m, prova da qual é a recordista brasileira:

— É a minha primeira participação olímpica, mas como estamos no meio da pandemia, a prioridade é a saúde. Fazemos o teste todo dia e há sempre um receio a mais ao entregá-lo à organização.

Isaquias Queiroz, recordista de medalhas do Brasil em uma única Olimpíada, contou que acha estranho ter sempre uma pessoa do governo japonês lhe seguindo, onde quer que vá. O canoísta, que está treinando no Lago Miyagase, base do COB, afirma, no entanto, que se sente seguro e que, apesar das circunstâncias, não se importa em ter a circulação limitada.

— Não vim para passear no Japão, estou focado para buscar os melhores resultados. Só é meio estranho. Uma pessoa me acompanha desde a hora que acordo. Até a corridinha tem de ser feita dentro do CT, um lugar com pouco espaço. Fico dando voltas — disse o canoísta.

Edival Pontes, o Netinho, do taekwondo, acostumado a usar proteção nas mãos ao lutar, agora fica de luva até para almoçar. Ele explica que assim se sente protegido quando vai ao refeitório, e já fala em redobrar os cuidados quando for almoçar na Vila a partir do dia 21. Mas o campeão dos Jogos da Juventude em 2014 e do Pan de Lima, em 2019, queria mesmo interagir com os estrangeiros:

— O legal dos Jogos é também ver os atletas da TV, trocar uma ideia, se aproximar. E isso não é possível. Não dá para jogar tudo fora por falta de cuidado.

O judô do Brasil é a modalidade que passou o maior aperto até o momento. O hotel da delegação, em Hamamatsu, reportou 11 casos de Covid, entre funcionários e familiares. Ney Wilson, chefe de equipe, explicou que levar a informação com transparência aos atletas trouxe segurança a todos. O Brasil entrou no hotel após a divulgação dos casos e se isolou em dois andares do prédio:

— É como se a gente estivesse num apartamento enorme, o vizinho está contaminado e a gente nem fica sabendo. Os atletas se sentem bem com os cuidados tomados e não foi preciso mudar de local.

Curtindo como pode

Quem parece estar levando a situação com leveza é o ponteiro da seleção de handebol Felipe Borges. Garantindo se sentir seguro no Japão, ele diz estar curtindo todos os momentos — até mesmo a hora do teste diário de Covid.

Felipe já passou por uma quarentena de 23 dias no Egito, quando a seleção brasileira jogou o Mundial, em busca de vaga olímpica. Ele sequer pisou em quadra. No dia seguinte a seu desembarque, testou positivo para Covid e foi isolado em um hotel. Assistiu ao torneio pela TV. Os jogadores voltaram para suas casas e ele continuou trancado no Cairo. Só foi liberado após 12 testes, com dois negativos:

— Toda a minha cota de quarentena em competição eu já paguei. Não desejo o que passei no Cairo a ninguém. Por isso me cuido, me cuido muito, mas curto todos os momentos também.

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