Testes com vacinas dão esperanças ante a pandemia, que acelera na África

Por James Pheby com os escritórios da AFP no mundo
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Imagem mostra uma pessoa com roupa de proteção recolhendo amostras para testes de COVID-19 em um centro de exames que atende pacientes sem que precisem descer de seus carros em Plabennec, oeste da França, 20 de julho de 2020

Os avanços com dois testes de vacinas em potencial contra a COVID-19 lançam uma luz de esperança nesta segunda-feira (20) na luta global contra a pandemia, que acelera na África, um continente que até agora tinha sido afetado levemente.

Dois projetos de vacina, um britânico e outro chinês, demonstraram ser seguros para os pacientes e produziram resposta imunológica importante, segundo resultados dos testes clínicos publicados nesta segunda na revista médica The Lancet.

Os testes, no entanto, ainda estão em fase preliminar e são necessários provas com mais participantes antes de sua aplicação em larga escala no combate à pandemia, que deixou mais de 607.000 mortos e 14,5 milhões de infectados no mundo desde o final de dezembro, segundo o balanço mais recente da AFP, baseado em fontes oficiais.

A doença registrou recidivas em vários pontos do planeta e castiga particularmente a América Latina e o Caribe, que somam 163.483 falecidos e 3.860.245 casos, com o Brasil superando a marca de 80.000 mortes e um forte aumento de contaminações nos departamentos bolivianos de La Paz e Cochabamba.

Os Estados Unidos registraram um sétimo dia consecutivo com mais de 60.00 novos casos de COVID-19 nas últimas 24 horas.

O país norte-americano continua sendo o mais atingido pela pandemia no mundo em termos absolutos, tanto em número de mortes (quase 141.000) como de infectados (3,8 milhões).

Diante destes números e das duras críticas que recebeu pela gestão da crise sanitária no país, o presidente Donald Trump mudou seu discurso, defendendo agora o uso da máscara como um gesto "patriótico", na véspera da retomada de coletivas de imprensa na Casa Branca.

E a África, que soma 15.202 óbitos, segundo dados coletados nesta segunda pela AFP, passou a estar no foco da Organização Mundial da Saúde (OMS), que declarou sua preocupação com a "aceleração" da pandemia neste continente.

A União Europeia, enquanto isso, segue em busca de um acordo para um ambicioso plano de apoio econômico que faça frente à crise provocada pelo coronavírus.

- Esperança por duplo lançamento -

Os dois projetos que fazem vislumbrar uma futura vacina contra a COVID-19, segundo resultados publicados nesta segunda-feira, foram desenvolvidos em separado, um pela Universidade de Oxford em associação com a AstraZeneca, e o outro em Wuhan (China) por pesquisadores de vários organismos e financiado pelo grupo de biotecnologia CanSino Biologics.

O primeiro gerou "uma forte resposta imunológica" em um teste com mais de mil pacientes, enquanto o segundo provocou em outro teste forte reação de anticorpos na maioria dos aproximadamente 500 participantes.

Estes testes clínicos ainda estão em fase preliminar e sua eficácia deve ser estabelecida em provas com um número mais significativo de participantes, antes de contemplar sua comercialização em larga escala.

No entanto, os resultados eram muito aguardados em um momento em que cientistas e laboratórios de todo o mundo travam uma corrida contra o tempo contra a COVID-19.

- OMS preocupada com a África -

O diretor de emergências sanitárias da OMS, Michael Ryan, manifestou sua preocupação com o avanço da doença no continente africano.

"Estou muito preocupado com o fato de que começamos a ver uma aceleração da doença na África e todos devemos levar isto muito a sério e mostrar solidariedade", declarou.

O especialista mencionou especialmente a África do Sul, o país mais castigado do continente pela pandemia, que superou a barreira dos 5.000 mortos no domingo.

"A África do Sul corre o risco de ser um precursor do que vai acontecer no restante da África", advertiu.

- UE busca acordo -

Os chefes de Estado e de governo da União Europeia retomaram nesta segunda-feira as negociações iniciadas na sexta para um ambicioso pacote de ajuda aplicado à suas economias combalidas.

Para sair da maior recessão de sua história, a UE debate um plano equivalente a 840 bilhões de dólares que a Comissão Europeia pegaria emprestados em nome dos 27, um marco no projeto europeu, mas que não tem o consenso dos membros.

Diante da progressão do vírus e do temor de uma nova onda, muitos países decidiram reforçar suas medidas sanitárias, como a França, onde a partir da segunda-feira será obrigatório usar a máscara em locais públicos fechados sob pena de multa.

A Espanha, um dos países mais afetados pela pandemia com mais de 28.400 mortos, registra atualmente 150 focos de infecção, sobretudo na Catalunha.

- Cuba zera casos -

Em contraste com as cifras de uma região castigada, Cuba amanheceu nesta segunda sem novos contágios diários pela primeira vez desde meados de março.

"Um dia muito favorável, não temos casos confirmados, não temos casos graves, não temos casos críticos", anunciou o chefe de Epidemiologia do Ministério da Saúde, Francisco Durán.

Com uma população de 11,2 milhões de habitantes, o país caribenho acumula 2.446 contágios, com 2.319 recuperados e 87 falecidos.

Enquanto isso, outros países latino-americanos levam adiante seus planos de desconfinamento, apesar de a pandemia continuar se espalhando.

Na Argentina, Buenos Aires e periferia, onde se concentram mais de 90% dos casos, começou nesta segunda uma tímida reabertura das atividades após um confinamento de mais de quatro meses.

A medida de flexibilização progressiva foi resolvida apesar da elevada quantidade de contágios, de mais de 3.000 diários. "Temos que aprender a conviver com o vírus porque se não, o dano econômico vai ser pior", disse à AFP o vendedor Daniel Bailo.

O Chile, por sua vez, apresentou um plano gradual para sair do confinamento, apesar de constar entre os países mais afetados da região.

E no Peru, cuja gastronomia tem fala internacional, os restaurantes voltaram a receber clientes após quatro meses.

O país andino, o segundo da América Latina com mais casos de coronavírus depois do Brasil, superou no domingo as 13.000 mortes por COVID-19.

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