EUA acusam Rússia de manter vivo programa de armas químicas da Síria

Washington, 9 abr (EFE).- O governo dos Estados Unidos acusou nesta segunda-feira a Rússia de descumprir a obrigação de garantir o fim do programa de armas químicas da Síria e afirmou que analisa uma "série de opções" para responder ao suposto ataque com esse tipo de armamento registrado no sábado, nos arredores de Damasco.

"Esses atos não seriam possíveis sem o apoio material da Rússia e do Irã. Além disso, agora está claro que a Rússia traiu a obrigação de garantir o fim do programa de armas químicas do regime sírio", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

Em 2013, após um acordo entre Rússia e EUA, a Síria aceitou destruir seu arsenal químico após vários supostos ataques. No entanto, no ano passado, o Kremlin vetou a sequência de uma investigação da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) sobre o uso desse tipo de armamento no país.

"Estamos consultando nossos aliados para determinar uma resposta apropriada. Como o presidente Trump disse claramente, haverá um preço a ser pago", alertou Sanders sobre o ataque.

"Pedimos que o regime sírio e a Rússia abram a região para a supervisão internacional e a ajuda médica", acrescentou Sanders.

A porta-voz afirmou que Trump estuda uma "ampla gama de opções" para responder ao ataque e "dissuadir" o regime da Síria a tomar esse tipo de ação. Sanders deixou em aberto a possibilidade de uma reação militar. O Pentágono também não descartou a hipótese.

"Atualmente, neste momento, os EUA não estão fazendo ataques aéreos na Síria", disse Sanders, explicitando o momento presente.

Trump prometeu hoje que tomará uma decisão sobre o assunto nas próximas 24 ou 48 horas após se reunir com o comando do Pentágono.

A porta-voz da Casa Branca não quis confirmar se Israel é responsável pelo ataque militar contra o aeroporto militar de Al Taifur, na província de Homs, que matou 14 militares sírios e combatentes aliados do regime de Bashar al Assad.

"Só posso falar em nome do nosso governo", disse Sanders.

A Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS) e a Defesa Civil da Síria, organizações apoiadas pelos EUA, afirmaram que pelo menos 42 pessoas morreram no sábado com sintomas similares aos de vítimas de um ataque químico.

Nenhuma outra fonte confirmou o bombardeio com substâncias químicas. O Observatório Sírio de Direitos Humanos afirmou que 21 pessoas morreram asfixiadas na região em decorrência do desabamento dos prédios onde estavam. Os governos da Síria e da Rússia negaram o uso desse tipo de armamento em Duma.

Questionada se Trump tem provas de que o incidente em Duma se trata de um ataque químico, Sanders respondeu que o presidente "confia" nas acusações que fez e que recebeu informações detalhadas das agências de inteligência americanas. EFE