Thaila Ayala relança marca de roupas após polêmica: 'Não quisemos romantizar a pandemia'

Thaila Ayla

Após causar polêmica nas redes sociais com a marca VIR.US, iniciada em junho, a atriz Thaila Ayala e suas sócias relançaram a empresa, neste final de semana, com o nome de AMAR.CA. Ela explica que o conceito inicial era o de 'viralizar' nas redes sociais, mas que ele foi lido por muita gente como uma romantização da pandemia de coronavírus: "Fizemos uma leitura equivocada do contexto", comenta.

Em entrevista, ela explicou quais foram as mudanças na marca e como lidou com as críticas. A empresa aposta em uma cadeia produtiva feminina e sustentável e vende moletons confortáveis para quem está trabalhando de casa durante a quarentena. Thaila comenta também sobre a cultura do cancelamento: "A gente só melhora e evolui com diálogo".

Somos uma empresa caseira. Somos três amigas: eu, Fernanda e Maria. A Fernanda trabalha como vendedora de loja de shopping há 17 anos e como tudo parou durante a pandemia, o trabalho dela também parou. A Maria Claudia é produtora, trabalhava como freelancer, mas como as coisas pararam na pandemia, não tinha novos projetos. Diante disso, de maneira bem caseira, elas compraram algumas peças de moletom para fazer para os amigos. Elas me contaram do projeto e eu entrei com o intuito de ajudar. Nós três colocamos a mão na massa para fazer tudo. Nós somos toda estrutura da marca. Não temos investidores, equipe de marketing, de branding, outros sócios ou funcionários. Somos nós três cuidando de tudo: compramos os tecidos, os elásticos, levamos o material para costureira, retiramos. As peças de tie dye fazíamos na minha casa, por exemplo. É uma estrutura ainda muito caseira e toda tocada por apenas nós três.

A marca foi criada pela Fernanda e pela Maria. A princípio, era voltada para os amigos e conhecidos porque era algo para ser vendido por WhatsApp, para as pessoas que elas conheciam, como uma forma de ter renda durante a pandemia. Como o tie dye veio com muita força e era uma coisa possível de fazer em casa, bonita, alegre e confortável, começamos por ele. Pensamos em peças para serem mais usadas em casa, por causa da pandemia.

Eu entrei na sociedade com eles, continuamos com essa ideia de vender para conhecidos e fomos amadurecendo, crescendo. A marca não foi algo planejado, foi algo que surgiu da necessidade dessas minhas amigas. Hoje a gente segue com a linha moletom porque nós três amamos e pelo conforto que traz. Eu, por exemplo, sou uma pessoa que prezo muito pelo conforto das peças que eu compro. Agora o público também já está mais abrangente. Além dos amigos e pessoas conhecidas, pensamos em quem está fazendo home office, pensando especialmente que essa é uma prática que deve continuar mesmo com a flexibilização do isolamento, e para quem gosta de peças confortáveis. Mas não somos engessadas no sentido de só fazer uma coisa. Como somos nós três pensando e colocando a mão na massa, Amar.ca tem as peças que a gente gosta, do jeito que a gente imagina. Então, não é só uma marca de moletom, é uma marca do que a gente acha que é interessante em cada momento.

Como eu disse antes, a marca não tem uma grande estrutura. Somos apenas nós três para pensar e fazer tudo. Nossa intenção era associar à ideia de viralizar na rede social. Fizemos uma leitura equivocada do contexto do momento. Porque agora a palavra "vírus" é algo extremamente presente no nosso dia a dia só que de outra maneira, por causa da pandemia. Diante das críticas e apontamentos, entendemos imediatamente que não caberia mais esse termo e mudamos o nome para Amar.ca.

Eu entendi a crítica. Em nenhum momento quisemos romantizar a pandemia e pedimos desculpa por passar essa impressão naquele momento. A pandemia é um assunto muito delicado, que está afetando a vida de várias pessoas de maneiras e em níveis diferentes. Já são mais de 80 mil mortos e os números continuam subindo.

A marca foi reestruturada a partir de tudo que aconteceu e pensamos no que poderíamos fazer para melhorar como um todo. Começamos a ir atrás de tudo que poderíamos melhorar. Hoje nosso tecido tem um selo de tecido não-tóxico. Fechamos com a empresa Eu Reciclo para que tudo que a gente produza seja reciclado. Nossa empresa também tem o selo do Idesam de Carbono Neutro. Estamos trabalhando também no lado social da empresa, estudando parcerias com alguns projetos, já pensando nos próximos passos.

Nosso foco é vender online. Não pensamos em ter loja física. É um desafio, sem dúvida, criar algo agora, mas dá uma sensação boa ao mesmo tempo, por estar empregando tanta gente, fortalecendo tantas mulheres, tantos pequenos negócios. Minha amiga Fernanda, por exemplo, que está tão feliz que construir isso com a gente, de ver uma outra possibilidade de futuro. Da nossa costureira, Dona Delnice, que fez todas as peças do tie dye: com o dinheiro, ela está reformando a casa dela. Em um momento que vemos que está difícil empreender, fico feliz que mesmo com um negócio pequeno estamos fortalecendo uma cadeira produtora formada por mulheres.

Aconteceu uma reação bem forte e eu entendi as críticas. Tanto entendi que precisei de um tempo para processar melhor o que tinha acontecido e dar uma resposta mais adequada para isso. Mas colocando à parte o que aconteceu com Amar.ca, acho complicada essa prática do cancelamento on-line. Acho que essa prática acaba inibindo as pessoas e fazendo com que se alguém tem dúvida, não fale sobre isso. A gente só melhora e evolui com diálogo, com a possibilidade do erro e do aprendizado por meio dele. Quando um erro se torna algo inadmissível, as pessoas param de tentar. Para quem isso contribui? Sou muito a favor de as pessoas apontarem o que não está correto, darem opinião contrária. Só acho muito complicado quando isso vem com um determinismo de que a pessoa agiu de maneira equivocada e por isso não merece mais nenhum tipo de consideração, ou como se estivesse fazendo de propósito. É preciso haver espaço para cometer erros, dialogar e evoluir.

 

 

 

 

 

 

 

 

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