Theo Bial fala sobre parceria com o pai em música de novo EP

Lucas Bulhões
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Reconhecer o melhor momento para fechar ciclos é essencial para Theo Bial. Aos 23 anos, o cantor aposta num recomeço com o EP "Pra Sonhar”. Além de adotar uma nova sonoridade, num salto do rap para uma MPB jazzística, ele também resolveu assumir o sobrenome do pai. Com isso, abandonou o apelido "Theozin", nome artístico do início da carreira, e trouxe o jornalista e apresentador Pedro Bial para o centro do novo trabalho, como parceiro na canção "Mais uma vez".

— Já haviamos tentado fazer coisas juntos, mas nada dava certo. Eu fiz a melodia dessa música no piano e mostrei pra ele, ele ouviu e perguntou se podia colocar uma letra. Em pouco tempo ele tinha conseguido entender o que eu queria, foi ótimo. Meu pai é um cara muito bom em poesia, e eu quero que venham outras parcerias — diz Theo.

Coisa de família

Além do lado paterno, Theo também tem influência artística por parte de mãe. Ele é filho de Giulia Gam, uma das responsáveis pelo início de sua carreira. A atriz o incentivou a aprender violão desde os 10 anos, por considerar essencial o contato com a música. Agora, ele não descarta uma futura parceria com ela.

— Minha mãe toca flauta transversal. Tenho vontade de ter a companhia dela no palco, não sei se atuando ou tocando. Mandei "Mais uma vez" para ela, até tocamos juntos. Vai que sai uma versão instrumental, seria legal.

Crescer em um ambiente dominado por grandes músicos o ajudou, acredita ter sido importante ter acesso a Tom Jobim, Chico Buarque e João Gilberto desde cedo. Os três são suas grandes referências. E o dom artístico ultrapassa pai e mãe, seus irmãos paternos, Ana e José Pedro, também seguiram pelo mesmo caminho. Enquanto Ana é artista plástica, José atualmente estuda cinema.

Ainda que hoje em dia Theo considere a composição uma paixão, que se iniciou como um hobbie, nem sempre esse processo foi fácil. Ele relata o quanto, mais uma vez, Pedro foi importante para sua formação.

— Uma vez eu tinha uma melodia pronta, mas estava com dificuldades de escrever letras. Meu pai estava dirigindo um documentário com o Jorge Mautner. Me colocou em contato com ele e eu contei do meu problema, ele apenas me disse "Escreve qualquer coisa, mas escreva". Isso me fez seguir — conta.

O próprio caminho

Apesar de ter começado acantar durante a juventude, durante apresentações com bandas que tinha com amigos, alega ter sido um processo até começar a emprestar suas voz para suas composições. Achava que apenas ele conseguiria sentir de maneira exata aquelas letras para passar sua mensagem ao público. Ainda com seu antigo nome, lançou o EP "Presente" em 2007, e em 2018 o álbum "Do Amor à Sabedoria".

Quando perguntado sobre comparações com outros artistas e as expectativas de sucesso do novo trabalho, Theo diz não pensar muito nisso.

— O sucesso é relativo. Cada um tem sua noção. Se eu puder me comunicar ao máximo de pessoas, fazendo o que amo, e com uma vida boa, já está ótimo. Eu não preciso de luxos ou ser o artista que compra um jatinho, eu quero é viver bem. Ter uma música tocando na novela ou um show com um milhão de pessoas é legal, mas não é o que me move. Eu quero fazer o que amo.

O pensamento continua o mesmo sobre as comparações com seus pais, inevitáveis se tratando de duas personalidades amplamente conhecidas pelo país. Apesar disso, revela já ter sentido vergonha por ser reconhecido em lugares públicos, além de não gostar dos comentários dizendo que estaria em certos lugares apenas pelo seu parentesco.

— A cada dia se torna uma questão menos para mim. Pra você ser reconhecido tem que fazer um bom trabalho, depende muito mais de mim do que deles. Claro que me ajuda, mas eu conquistei e continuo conquistando muitas coisas por conta própria.Tiro as partes positivas disso, meu pai tem muito a me ensinar, a minha mãe também, mas tenho o meu próprio caminho.

Começo de ciclo

O nascimento de "Pra Sonhar" foi longo. O conjunto de músicas começou a ser composta no início da quarentena de 2020, e durou mais de sete meses. Afirma ter sido um processo compartilhado, todo o material era enviado para amigos, produtores e, claro, para a família. Apesar do difícil momento, ainda mais pela falta de uma data de encerramento, acredita ter sido positivo ter um tempo para focar na escrita, gravação e produção do material.

Durante o isolamento, aproveitou para reforçar ainda mais um de seus amores de infância: a música clássica, uma aliada em seus momentos de estresse. Grande fã do pianista Frédéric Chopin, Theo adiciona diversos elementos do gênero em suas músicas, como na faixa homônima ao nome do EP, que ganhou um videoclipe neste domingo, junto ao lançamento das outras faixas nas plataformas digitais.

Aliás, há um dicotomia interessante entre os nomes escolhidos. Além das já citadas, uma das músicas foi batizada como "Pra Chorar", e ele explica os motivos para isso:

— Essa veio primeiro. Eu tinha duas músicas com um tom mais melancólico, não sei se por estar me baseando muito em musica clássica, estava fazendo tudo mais melancólico. Pensei em fazer algo mais alegre e escrevi um refrão em que canto "para sonhar...", mas não foi proposital. Quando percebi a batizei assim, achei bacana essa ordem. É como um ciclo, você sonha, chora e passa por tudo mais uma vez.